Ciência

Fiocruz diz que coronavírus chegou ao Brasil antes do Carnaval; Rio teve 1ª morte

por: Karol Gomes

Um mês antes do primeiro registro oficial, o coronavírus já estava presente no Brasil, causando doença e a primeira morte. A primeira falecimento por Covid-19 no Brasil ocorreu no Rio de Janeiro, na quarta semana epidemiológica – como o Ministério da Saúde divide o ano, semanas que começam num domingo e vão até o sábado – entre 19 e 25 de janeiro.

É o que dizem as novas estimativas divulgadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que afirmam também: a transmissão local ou comunitária já estava em curso em São Paulo, em 4 de fevereiro, muito antes do 13 de março, data dos registros oficiais.

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De acordo com os dados da instituição, em 26 de fevereiro, quando foi anunciado o primeiro caso, o coronavírus já circulava pelo país fazia um mês, destaca a pesquisa, a primeira a indicar o período do início da transmissão no Brasil. O estudo foi realizado por meio de uma inovadora metodologia estatística de inferência, que usa como base os registros de óbitos do Ministério da Saúde.

Isso significa que, quando o Brasil começou a monitorar o coronavírus em fronteiras e aeroportos, a partir de 13 de março, ele já estava espalhado nas ruas. Doentes de Covid-19 estavam internados em hospitais, onde não se sabia que estavam infectados. Enquanto o país se preparava para pular carnaval, na oitava semana, já eram 17 os brasileiros que lutavam pela vida num leito de hospital contra a Covid-19 e nove os mortos. Em pleno carnaval, com blocos arrastando multidões nas ruas, houve 24 internações e dez mortes.

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A primeira morte por Covid-19 no Brasil foi identificada por meio de exames moleculares (RT-PCR) em estudos retrospectivos. A data exata do óbito está nos registros do Ministério da Saúde, mas o registro de um falecimento pela doença durante a quarta semana já consta do portal MonitoraCovid-19, da Fiocruz.

Os cientistas chamam a atenção para o espalhamento silencioso da Covid-19 – que ainda está acontecendo em casos não confirmados ou que não chegam a ser testados – e a necessidade de manter a vigilância molecular (testagem com PCR de casos suspeitos) para vírus respiratórios. Sem ela, seremos eternos reféns do coronavírus, alerta o coordenador da pesquisa, Gonzalo Bello, do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC/Fiocruz.

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Além do IOC, participaram pesquisadores da Fiocruz-Bahia, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Universidade da República (Udelar), no Uruguai. O estudo foi publicado online e ainda sem revisão por pares na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz.

Questionado sobre o estudo, o Ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou, em coletiva de imprensa, que ainda não tem condições de comentar os resultados. “Isso tem que passar por uma avaliação do grupo técnico. A Fiocruz é uma instituição totalmente confiável, se isso é um trabalho de pesquisa, o trabalho tem que ser avaliado tecnicamente. Tenho que ver o trabalho, não tem como dar uma resposta sem nem ter lido o trabalho e sem ter ouvido pessoas especialistas nisso”.

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Foto: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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