Arte

Henri Rousseau: o incompreendido mestre de pinturas surreais inspiradas na floresta

por: Gabriela Glette

Muitos pintores, hoje considerados gênios e cujas obras estão expostas nos museus mais importantes do mundo, não tiveram todo o talento reconhecido na época em que eram vivos. Esta particularidade é comum, sobretudo nos impressionistas, como o holandês Van Gogh, que morreu pobre e fracassado. Um pouco menos conhecido do grande público, o pintor francês pós-impressionista Henri Rousseau, foi ridicularizado pelos críticos por suas composições “infantis”. Nascido em 1844, o artista autodidata nunca saiu da França ou pôde ver uma selva em pessoalmente, em vez disto, suas pinturas icônicas eram inspiradas em livros infantis, bem como no zoológico e no jardim botânico de Paris.

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Rousseau nasceu em Laval, uma pequena cidade no noroeste da França. Ele e sua família se mudaram para Angers em 1861, onde ele conseguiu um emprego como balconista do oficial de justiça local. Sem muito trabalho a fazer, foi neste período que ele começou a desenhar, durante os dias longos no escritório. Ousado, seu auto-retrato foi o primeiro no qual o artista o incorporou em uma paisagem, por isto sua obra foi considerada pelos críticos da época como um gênero híbrido da pintura. Segundo o pintor, ele foi o pioneiro desta prática:  “Eu sou o inventor da paisagem de retratos”.
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Também conhecida como primitivismo ou arte ingênua, sua obra é definida como arte visual criada por uma pessoa que carece de educação formal em arte. Pinturas ingênuas geralmente apresentam simplicidade infantil, perspectiva embaraçosa e cores planas, afinal, ele nunca estudou arte. Apesar da crítica, Rousseau foi uma figura-chave no movimento e desenvolveu seu próprio estilo. Com proporções incorretas, perspectiva unilateral e cores não naturais, o trabalho de Rousseau foi criticado por muitos, porém, para outras pessoas evocou uma sensação de mistério e excentricidade.
Henri Rousseau 3

Quando completou 40 anos, o pintor decidiu se aposentar do trabalho formal, para se dedicar às suas pinturas em período integral. Na época, ele afirmou que não precisava de “outro professor além da natureza” e colou todas as críticas negativas em sua página de recados pessoal. Amante da natureza, o quadro ‘ Tiger in a Tropical Storm’ foi exibido no Salon des Indépendants de Paris, em 1881 e apresentava um tigre de olhos arregalado emergindo da grama.

Henri Rousseau 4

Ridicularizado na época, hoje ele é considerado uma de suas melhores obras. Assim como outros colegas de profissão, muitos pintores hoje tidos como avant-garde, foram incompreendidos em sua época. Mais atuais do que nunca, os quadros de Rousseau nos ensinam que a arte não precisa necessariamente de muito ponderamento, já que é uma manifestação do próprio universo do artista.

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Fotos: Creative Commons


Gabriela Glette
Uma jornalista e produtora de conteúdo que mora na França. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias. Gabriela também é fundadora do site Quokka Mag, onde fala apenas sobre coisas boas!

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