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Recorte racial: 7 empreendedores negros que se uniram na confecção de máscaras contra o coronavírus

por: Kauê Vieira

O uso de máscaras é uma realidade na maioria das cidades do Brasil. Em São Paulo, por exemplo, além do transporte público e por aplicativo, as pessoas devem utilizar o item sempre que estiverem caminhando pelas ruas da metrópole. O governador, João Doria (PSDB), disse que a fiscalização fica por conta das prefeituras e quem descumprir as novas medidas será multado. São Paulo, não custa lembrar, tem mais de 2 mil mortos e ao menos 31.700 casos positivos da doença.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha que todos os países adotem o uso da máscara como mais uma medida protetiva. Atenção, sair mascarado por aí não vai te impedir de contrair o novo coronavírus. Primeiro, é importante ficar em casa o máximo de tempo possível, além disso, o objeto deve ser usado por até 3 horas desde que você, claro, não toque a máscara com a mão. Em casa, é importante sempre lavá-las em uma solução com água sanitária.

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Recorte racial 

Fato é que a máscara se tornou acessório vital para todos os que navegam nestes tempos estranhos e incertos. Enquanto uma vacina para a covid-19 ainda é um sonho distante, andar com o rosto coberto será o novo normal. Distópico, mas normal. E, já que especialistas e médicos pedem para que as pessoas não comprem os modelos N95, reservados aos profissionais de saúde, a produção artesanal de máscaras ganhou destaque. 

O Hypeness listou marcas, sobretudo mantidas por homens e mulheres negras, que estão vendendo máscaras para você se cuidar e ajudar o próximo em um momento tão difícil para a sociedade. Afinal, economia e vida não podem ser tema de disputa.

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A preferência pela divulgação do trabalho de afro-brasileiros se dá pela constatação de que este é o grupo mais afetado pela covid-19. O Ministério da Saúde divulgou que pretos e pardos respondem por 1 em cada 4 brasileiros que precisam de atendimento médico por Síndrome Respiratória Aguda Grave (são 23,1%). O mesmo grupo representa 32,8% dos mortos – 1 em cada 3 óbitos por coronavírus é de uma pessoa negra. Trocando em miúdos, este é um grupo de pessoas que precisam  equilibrar entre a demora para receber o auxílio emergencial do governo federal e a urgência de pagar as contas. 

1. Tecidos étnicos da Thalita Troise

Se você mora em São Paulo, dá pra fazer negócio com Thalita. Ela vende máscaras com tecidos de algodão inspirados na cultura de países africanos. De acordo com ela, os produtos possuem três camadas de proteção e podem ser reutilizados. 

As máscaras saem por R$ 10 a unidade

Cada máscara sai por R$ 10. Existe ainda a opção pelo modelo de R$ 15, que conta com um proteção para que o elástico não machuque as orelhas. Thalita entrega pelo Correios ou com motoboy. O delivery é por conta do cliente e a partir de R$ 10, a entrega sai de graça. 

2. Pacotinho com 10 

Erica Mbengue bolou uma promoção que vai agradar que não gosta muito de repetir cores e modelos. Por R$ 60, você leva para casa um pacote com 10 unidades – uma preta e outra branca, além de oito modelos inspirados na cultura afro-brasileira para você combinar com um turbante ou uma camisa transada.  

Aliando proteção e estilo

Erica diz no anúncio que parte do lucro das vendas será revertido para ajudar pessoas que vivem em situação de risco. A partir de R$ 100 em compras, o frete para São Paulo sair por R$ 10.

3. Brecho Bem te Quer 

Ainda em São Paulo, o Bem te Quer é empreendedorismo negro na veia. As máscaras seguem a tendência de cores vivas e são produzidas com medidas exatas para garantir a eficácia. As entregas acontecem para todo o Brasil pelos Correios. 

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SalvE RainhAs @afromascaras

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4. Lassana Moda 

Pernambuco é um dos estados com o maior número de casos de coronavírus no Brasil. A proteção, portanto, é mais indispensável do que nunca. As máscaras da Lassana Moda são confeccionada por um imigrante do Senegal e podem ser usadas por até no máximo 2 horas. Os modelos levam tecido 100% algodão africano nas cores amarelo, rosa, vermelho, verde, azul, branco e preto. Cada modelo sai por R$ 7. Detalhe, as máscaras são dupla face. 

5. Ateliê Araka 

Um fenômeno curioso que você já deve ter percebido é que muitas gente que atuava na confecção de roupas, está agora produzindo máscaras. No Rio Grande do Norte, a Ateliê Araka, especializada na produção de roupas usadas nas religiões negras do Brasil, abriu a confecção de máscaras. Modelos com camada dupla e tecido 100% em algodão saem por R$ 10. 

Você pode saber sobre outros tipos de máscaras, além dos valores de kits no inbox da marca. O que não dá é pra sair nas ruas sem proteção. 

6. Overboetcetal

A marca inspirada em street wear do Rio de Janeiro lançou uma promoção. ‘A Vida pela Vida’ funciona assim: na compra de uma camiseta ANKH com a chave da vida, o cliente recebe uma máscara de presente. A peça é vendida por R$ 59,90. 

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Campanha Vida pela Vida A Vida sempre foi a bandeira dO Verbo, expressa principalmente nas suas estampas, em especial – a ANKH, que simboliza a chave da vida na cultura Kemética. O COVID19 nos lembrou que o epicentro de todas as coisas é a VIDA. Uma pandemia nos forçou a equilibrar decisões onde a luta pela sobrevivência tornou-se uma emergência não negociável. Usar máscaras hoje, ganhou conotação de preservação da vida, da sua e da dos outros. O Verbo lança sua campanha “A Vida pela vida”, e na compra de uma camiseta ANKH – a chave da vida por R$ 59,90, você recebe uma máscara para proteger sua vida e a dos outros. Convidamos você a fazer parte desse movimento em prol da vida O Verbo, moda com propósito

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7. Kandakids 

A marca de Santa Catarina especializada em tecidos africanos possui modelos especiais para as crianças. Os modelos são inspirados em símbolos cultura africana, caso do baobá. Cada uma é vendida por R$ 5. 

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Fotos: foto 1: Getty Images/foto 2: Reprodução/Facebook/foto 3: Reprodução/Instagram


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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