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Repórter da CNN é preso ao vivo em protesto por morte de homem negro; Trump pede tiros em manifestantes

por: Kauê Vieira

Minneapolis vive uma escalada de violência provocada por um policial branco que matou, de forma brutal, um homem negro. George Floyd foi asfixiado pelo joelho do oficial enquanto era filmado em plena luz do dia. Nem uma semana depois, outro negro é alvo da ira da polícia. Omar Jimenez, repórter da CNN que realiza a cobertura dos protestos exigindo justiça, foi preso enquanto enquanto falava ao vivo. 

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Omar Jimenez, repórter da CNN

Omar noticiava detenções nas proximidades de uma delegacia destruída pelo fogo ateado por manifestantes. O jornalista estava diante de uma barreira policial e foi detido quando a equipe de reportagem começou a filmar uma prisão. De início, a polícia pediu para que ele se afastasse. Omar, que é um homem negro, argumentou, enquanto mostrava o crachá, que fazia parte da rede de notícias norte-americana. Tudo isso aconteceu ao vivo. 

“Podemos dar um passo para trás, se vocês preferirem. Nós podemos nos mover para onde vocês quiserem. Estamos ao vivo no momento”, informou sem sucesso. 

Por volta das cinco da manhã no horário local, dois policiais surpreenderam Omar: “Você está preso”, aviaram enquanto, pasmem, algemavam o jornalista. Tudo isso ao vivo. A polícia prendeu o resto da equipe e confiscou a câmera. 


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O ato dos policiais surpreendeu a todos, inclusive os dois âncoras no no estúdio. A CNN emitiu nota dizendo que o ato viola a constituição. “Autoridades de Minnesota, incluindo o governador, devem soltar os três empregados da CNN imediatamente”. 

Omar Jimenez foi preso enquanto falava ao vivo

Omar Jimenez é detido durante cobertura de morte de homem negro

O presidente da CNN, Jeff Zucker, conversou com o governador de Minnesota, Tim Walz, na manhã desta sexta-feira (29). O político se desculpou pelo ato descrito por ele como “inaceitável”

A polícia de Minnesota soltou nota dizendo que os profissionais foram presos em uma operação de limpeza das ruas. Eles ainda justificaram que “os três foram liberados assim que confirmados como membros da imprensa”. A afirmação está longe de ser verdade, já que Omar Jimenez mostrou o crachá se identificando como jornalista. 

Trump sugere que policiais atirem em manifestantes

A detenção de um homem negro eleva a tensão racial que domina o debate nos Estados Unidos nos últimos dias. A morte de George Floyd provocou uma série de protestos em diversas partes do país, como Los Angeles e Minneapolis, que tiveram viaturas policiais destruídas e lojas saqueadas por manifestantes que pedem justiça e a prisão do policial, que embora demitido ao lado de outros dois colegas, sequer foi indiciado pelo homicídio até o momento. O assassinato de Floyd, aliás, ocorre dias depois da divulgação de um vídeo em que outro homem negro, desta vez a morto a tiros por dois homens brancos na Geórgia. 

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Ahmaud Arbery foi assassinado em 23 de fevereiro enquanto fazia cooper nas ruas de Satilla Shores. Gregory McMichael, de 64 anos e Travis McMichael, de 34, só foram acusados após a viralização das imagens. Antes disso, os dois levavam suas vidas normalmente. William Bryan, de 50 anos, também foi indiciado. 

Ahmaud Arbery, assassinado por homens brancos enquanto fazia cooper

Para completar, o presidente dos Estados Unidos usou o Twitter pessoal e o oficial da Casa Branca na noite da quinta-feira (28) para pedir que os policiais atirassem em manifestantes que saquearam lojas. O Twitter sinalizou a publicação como “glorificação da violência”. 

“Estes bandidos estão desonrando a memória de George Floyd e eu não vou deixar que isso aconteça. Acabei de falar com o governador Tim Waltz e disse que o exército está ao seu lado. Qualquer dificuldade e nós vamos assumir o controle e, quando os saques começarem, os tiros também vão começar. Obrigado!”, ameaçou o presidente dos Estados Unidos.

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Fotos: Reprodução/CNN


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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