Tecnologia

Ruanda desenvolve robôs para auxiliar profissionais de saúde contra coronavírus

por: Vitor Paiva

Assim como no Brasil, a subnotificação e a falta de exames na África parecem camuflar um quadro mais grave e severo do que o oficial para o continente, onde 88 mil casos de coronavírus foram confirmados. Em Ruanda, país localizado na região centro-oriental do continente africano, as políticas de controle vêm apresentando resultado positivo, ao menos oficialmente: são 336 casos confirmados, até aqui sem nenhuma morte. Para manter o quadro positivo que conferiu ao país o apelido de “Singapura da África”, o governo ruandês comprou cinco robôs para ajudarem os profissionais de saúde na linha de frente do combate ao vírus.

Desenvolvidos pela empresa belga Zora Bots e adquiridos pelo equivalente a R$ 18 mil cada, os robôs foram apresentados em cerimônia pública na semana passada pelo ministro da saúde, Dr. Daniel Ngamije. A ideia é utilizar os robôs de tecnologia de última geração para reduzir a exposição dos profissionais de saúde a situações de potencial contaminação: os robôs serão utilizados em hospitais para levar comida a pacientes contaminados, assim como tirar temperaturas e oferecer medicamentos.

O modelo apresentado pelo governo ruandês

Mas não somente: os robôs podem avaliar se pessoas estão ou não utilizando máscaras, e avisar da necessidade do uso correto dos equipamentos – a ideia é utiliza-los ainda mais para a proteção de outros profissionais. “Precisamos de mais robôs para tarefas como desinfecção de espaços públicos, e estamos trabalhando pra isso”, disse o ministro. Cada robô foi batizado com um nome típico do país – Mwiza, Ikizere, Akazuba, Urumuri e Ngabo – e, segundo o ministro, levará ainda um mês para que as equipes de saúde aprendam a utilizar a nova tecnologia em todo seu potencial.

No início da pandemia, Ruanda se fez notícia por colocar pias em espaços públicos para que a população pudesse lavar as mãos. Mas tal controle no país não se dá sem controvérsias: adversários políticos do presidente Paul Kagame afirmam que o severo lockdown vem sendo imposto através de abusos por parte de autoridades de segurança, e diversas mulheres foram à público acusar de estupro policiais que deveriam estar controlando o isolamento, enquanto jornalistas que denunciaram os abusos estariam sendo perseguidos e detidos no país.

O presidente Paul Kagame, de Ruanda

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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