Diversidade

Vereador viraliza com texto sobre bissexualidade contra homofobia: ‘Amor precisa de transparência’

por: Karol Gomes

O vereador de Belo Horizonte Gabriel Sousa Marques de Azevedo (Patriota) publicou neste domingo (17) um conteúdo especial para lembrar o Dia Internacional contra a Homofobia, Transfobia e Bifobia – a data é considerada importante para o movimento LGBT por lembrar a exclusão do termo “homossexualismo” da lista de distúrbios mentais do Código Internacional de Doenças, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1990. 

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Mas o post vai muito além de somente a lembrança da data: ele também falou sobre é ser um homem bissexual na política. Azevedo tenta responder ao questionamentos que ele diz sempre receber: por quê?

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No texto, ele afirma que suas escolhas são da natureza humana e aponta que as pessoas lidaram de forma diferente quando viram fotos que publicou com sua namorada e, depois com um namorado, o que denota bifobia — quando há preconceito contra uma pessoa pelo fato de ela ser bissexual. 

Um estereótipo frequentemente atribuído a bissexualidade é a associação com a promiscuidade e infidelidade nas relações – ou ainda, a premissa de que isto é apenas uma fase ou uma “modinha”. 

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O vereador aproveitou ainda para mandar um recado ainda para os homens bi que não se sentem à vontade para falar publicamente sobre a orientação sexual. “O amor precisa de transparência. Compreendo o desejo, até mesmo o fetiche, de viver com a sexualidade em segredo. Há quem não sinta nada negativo quanto a isso. Contudo, há muita gente que sofre por levar uma vida assim. Viva a vida. Você merece”, disse.

Gabriel aponta que o mesmo estereótipo recai sobre mulheres e homens bi dentro de relacionamentos, mas de formas diferentes. “Quando uma mulher conta para um homem que é bissexual, até pela quantidade robusta de material pornográfico que consumimos com duas mulheres (sejam sinceros), a sensação é de loteria premiada. A sociedade compreende muito mais sob o ponto de vista masculino, inclusive”, escreve.

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Confira a publicação na íntegra:

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17 de maio é o dia internacional contra a bifobia, homofobia e transfobia. O ano é 2020, mas ainda há gente que se preocupa com a orientação sexual alheia. Permitam-me a sinceridade costumeira para explicar por qual razão esse tipo de posicionamento é importante, sobretudo vindo de alguém que detém um cargo público. Eu próprio imaginava que a sexualidade era algo íntimo e que dizia respeito apenas a cada um de nós. Sigo acreditando nisso. Sempre que tive uma namorada, postei uma foto de momentos com elas por aqui. E quanto tive um namorado, postei fotos de momentos com ele por aqui. As fotos com elas não circularam tanto em Grupos de WhatsApp quanto as fotos com ele. E por qual razão? Oras, por haver ainda muita gente que se impressiona com algo perfeitamente simples: a natureza humana. Somos diversos. Assim, notei o quanto minha sexualidade poderia gerar uma sensação de curiosidade. Curioso, né? Ao mesmo tempo, recebo inúmeras mensagens de pessoas, homens e mulheres, sobretudo de Belo Horizonte, que me dizem que, ao ver minha postura, decidiram contar para aqueles que amam que também são bissexuais. Vejam como é a vida… Quando uma mulher conta para um homem que é bissexual, até pela quantidade robusta de material pornográfico que consumimos com duas mulheres (sejam sinceros), a sensação é de loteria premiada. A sociedade compreende muito mais sob o ponto de vista masculino, inclusive. Por outro lado, quando um homem se compreende bissexual, não é exatamente a mesma percepção… Por qual razão? Por construções sociais que fazemos, oras. Claro, a visão sobre as mulheres também não é algo que sempre existiu, mas foi mais compreendida com o tempo. Estimulada. Por tal, homens bissexuais, aproveito essa data para lhes convidar a não ligar para o que os outros dizem. A vida é mesmo uma só. E quem vive para os outros não vive para si. Se vocês possuem um relacionamento com outra mulher, encorajo-lhes a contar isso para elas. O amor precisa de transparência. Compreendo o desejo, até mesmo o fetiche, de viver com a sexualidade em segredo. Há quem não sinta nada negativo quanto a isso. Contudo, há muita gente que sofre por levar uma vida assim. Viva a vida. Você merece.

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Foto: Reprodução / Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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