Debate

William Bonner expõe falhas no sistema de auxílio na pandemia e denuncia fraude no CPF do filho

por: Karol Gomes

O apresentador do ‘Jornal Nacional’, William Bonner, denunciou, via Twitter, uma fraude do programa de auxílio emergencial do governo de Jair Bolsonaro em plena pandemia do coronavírus (Covid-19). A vítima foi seu filho, Vinícius Bonner, cujo CPF foi usado para solicitar o pagamento. Os golpistas foram aprovados para receber o benefício usando a identidade do jovem.

Na rede social, ele esclareceu a situação. “Meu filho não pediu auxílio nenhum, não autorizou ninguém a fazer isso por ele. Mais uma fraude, obviamente”, contou o apresentador do Jornal Nacional na manhã desta quinta-feira (21). 

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O âncora voltou a usar sua conta no Twitter após mais de dez dias sem postar nada para desabafar sobre o golpe sofrido pela família. No relato, Bonner contou que o CPF de Vinícius tem sido utilizado por estelionatários há três anos. “Fraudes como a abertura de empresas ou a contratação de serviços de TV por assinatura, entre outras”, relatou. 

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O jornalista disse ainda que já acionou advogados para “encerrar todas as falcatruas, devidamente denunciadas à polícia”. A repetição de fraudes chegou ao ponto de tornar recomendável uma troca do CPF. Mas, segundo Bonner, no Brasil, a vítima de golpes dessa natureza precisa passar por uma longa provação, em que tempo e dinheiro se esvaem no desenrolar do processo burocrático. 

Na sequência, Bonner questionou os fatores de avaliação do governo federal para aprovar o benefício de R$ 600,00. “Pelos critérios do programa de auxílio emergencial, alguém nas condições sócio-econômicas do meu filho não tem direito a ajuda. Portanto, quem quer que viesse a usar o nome, o CPF e dados pessoais dele deveria receber como resposta ao pleito um ‘não’. Mas, pelo que vimos ao consultar o site do Dataprev, o pedido de auxílio feito por um fraudador foi aprovado”, analisou o jornalista. 

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De acordo com o monitoramento do dfndr lab, laboratório especializado em segurança digital da PSafe, golpes que prometem o auxílio emergencial pago pela Caixa Econômica Federal seguem circulando no WhatsApp e nas redes sociais. Até a última terça-feira (19), foram detectados mais de 11 milhões de tentativas do tipo envolvendo o auxílio de R$ 600. Também foram detectados 270 aplicativos falsos (também chamados de malwares) relacionados ao coronavírus.

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O laboratório de segurança digital afirma que o objetivo dos cibercriminosos com estes golpes é de roubar dados pessoais e lucrar a partir da visualização de propagandas nas páginas falsas.

A Caixa afirma que, junto com outros órgãos do governo, Polícia Federal e as próprias lojas de aplicativos, vem monitorando e atua continuamente para bloquear e desativar os serviços falsos.

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A Dataprev já analisou 81,3 milhões de cadastros para o auxílio emergencial de R$ 600, sem contar os beneficiários do Bolsa Família. Dentre os 32,1 milhões de pedidos de quem é do CadÚnico, 21,6 milhões foram considerados inelegíveis. Para quem se cadastrou pelo site ou aplicativo, o pedido foi negado para 19,9 milhões de pessoas – 4,5 milhões estão sendo reanalisados. Ao todo foram 41,5 milhões de negativas, o que representa mais de 50% das solitações.

Como se proteger

Para combater os golpes relacionados ao auxílio emergencial, a Caixa divulgou uma espécie de cartilha de proteção contra esses golpes e deu orientações para que as pessoas evitem o prejuízo em um momento de necessidade. O banco pede ainda que, especialmente em relação ao auxílio emergencial, os cidadãos utilizem apenas os canais oficiais da Caixa ou do governo para buscar informações e acesso aos serviços.

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A Caixa também faz um alerta sobre as fake news. “Antes de compartilhar informações sobre a epidemia e o auxílio emergencial, procure em veículos confiáveis e fontes oficiais para confirmar se é realmente é verídico, tais como: Ministério da Saúde; Ministério da Cidadania; Ministério da Economia; Secretaria Especial de Previdência e Trabalho; Caixa; Dataprev; jornais e sites de relevância”, afirma o documento divulgado pelo banco.

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Foto: Reprodução / Rede Globo


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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