Debate

William Bonner recebe ameaças no celular; No DF, jornalistas deixam cobertura por falta de segurança

por: Karol Gomes

A Globo divulgou nesta terça-feira (26) uma nota de repúdio a uma campanha de intimidação ao jornalista William Bonner. Apresentador e editor-chefe do ‘Jornal Nacional’, carro chefe da emissora, ele denunciou publicamente, na semana passada, em sua conta no Twitter, o uso indevido do CPF do seu filho por um fraudador, que inscreveu o jovem no programa de auxílio emergencial do governo, direcionado a pessoas vulneráveis que perderam a renda durante a pandemia do novo coronavírus.

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Falhas no sistema de checagem do benefício tornam possível a ação de estelionatários. No caso do filho de Bonner, sua renda familiar não permitiria a concessão do benefício. Mas o site da Dataprev informava que o pedido fraudulento havia sido aprovado. Alertada pelos advogados de Bonner, a Caixa suspendeu o processo de pagamento, que se daria numa conta virtual criada para o estelionatário.

A nota divulgada hoje pela Globo informa que o jornalista e uma de suas filhas também receberam mensagens de WhatsApp, originadas de número telefônico com o prefixo 61, de Brasília, com dados fiscais sigilosos dele e da família. E declara apoio da empresa ao jornalista na busca e na punição dos responsáveis pelo desrespeito ao sigilo previsto na Constituição.

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Imprensa ameaçada

E não é somente a Globo e seus jornalistas que têm tido problemas para trabalhar como mídia em meio a pandemia. Outras três empresas de comunicação – Folha, UOL e Band – decidiram suspender a cobertura jornalística na porta do Palácio do Alvorada, em Brasília, assim como a Globo. A iniciativa é uma resposta às seguidas hostilidades de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, dirigidas aos jornalistas que fazem plantão no local.

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Os apoiadores têm repetido as atitudes do próprio presidente, que em diversas vezes, mesmo antes da crise provocada pelo coronavírus, foi grosseiro e ofendeu jornalistas no local. Nesta segunda, o presidente voltou a criticar a imprensa. “No dia que vocês tiverem compromisso com a verdade, eu falo com vocês de novo”, disse. Mais tarde, seus seguidores no local, partiram para agressões verbais e físicas aos jornalistas presentes.

A Folha questionou o episódio desta segunda ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança do Alvorada, e a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom). Não houve resposta.

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O Grupo Globo comunicou o GSI por carta, assinada por Paulo Tonet Camargo, vice-presidente de Relações Institucionais. “São muitos os insultos e os apupos que os nossos profissionais vêm sofrendo dia a dia por parte dos militantes que ali se encontram, sem qualquer segurança para o trabalho jornalístico. Estas agressões vêm crescendo. (…) Com a responsabilidade que temos com nossos colaboradores, e não havendo segurança para o trabalho, tivemos que tomar essa decisão”.

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Consultada pela coluna de Maurício Stycer da UOL, a Band informou que “também está retirando seus profissionais da cobertura da porta do Palácio da Alvorada a partir de amanhã (terça-feira)”.

Já o Metrópoles publicou uma nota oficial no site para informar a decisão de suspender a cobertura diária que faz desde o início deste governo em frente ao Palácio da Alvorada. “A medida foi tomada no início da noite desta segunda-feira (25/05), e une-se às decisões de outras empresas jornalísticas”, informou, frisando ainda que “a suspensão perdurará enquanto o clima de hostilidade continuar e não houver condições para que os profissionais de imprensa possam trabalhar em segurança”.

Leia a íntegra da nota da Globo:

A Globo repudia a campanha de intimidação que vem sofrendo o jornalista William Bonner e se solidariza com ele de forma irrestrita. Há dias, um fraudador usou de forma indevida o CPF do filho do jornalista para inscrever o jovem no programa de ajuda emergencial do governo para os mais vulneráveis da pandemia, para isso se aproveitando de falhas no sistema, que não checa na Receita Federal se pessoas sem renda são dependentes de alguém com renda, fato denunciado publicamente pelo próprio jornalista que apresentou notícia crime junto ao Ministério Público Federal no Rio de Janeiro.

Agora, tanto o jornalista quando a sua filha receberam por WhatsApp em seus telefones pessoais mensagem vinda de um número de Brasília com uma lista de endereços relacionados a ele e os números de CPFs dele, de sua mulher, seus filhos, pai, mãe e irmãos, o que abre a porta para toda sorte de fraudes.

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A Globo o apoiará para que os autores dessa divulgação de seus dados fiscais, protegidos pela Constituição, sejam encontrados e punidos. William Bonner é um dos mais respeitados jornalistas brasileiros e nenhuma campanha de intimidação o impedirá de continuar a fazer o seu trabalho correto e isento. Ele conta com o apoio integral da Globo e de seus colegas e está amparado pela Constituição e leis desse país.

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Fotos: foto 1: Reprodução/TV Globo/foto 2: Reprodução / Twitter


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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