Arte

A história da cor verde: de pigmento venenoso a símbolo do meio ambiente

Gabriela Glette - 22/06/2020

Quando escolhemos a cor que iremos pintar a parede do quarto ou daquela jaqueta que estamos há tempos namorando, dificilmente paramos para pensar na história por trás daquele pigmento. Mais do que representar sentimentos e questões estéticas, as cores fazem parte de nossa história. O verde, por exemplo, se hoje é associado ao meio ambiente e à natureza, não foi um pigmento fácil de ser fabricado por nossos ancestrais, mesmo porque era altamente venenoso.

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Mont Sainte-Victoire and the Viaduct of the Arc River Valley” , de Paul Cézanne

No Egito antigo, o verde era símbolo de regeneração e renascimento e os egípcios tentaram usar a malaquita mineral de cobre para pintar as paredes das tumbas, mas o procedimento era caro e oxidava com facilidade com o tempo. Então, os romanos antigos inventaram uma solução, que consistia em absorver as placas de cobre no vinho para criar o verdete, um pigmento verde que surge depois do desgaste do metal. Essa é a mesma tonalidade verde que hoje vemos em telhados de metal e moedas antigas ou esculturas. Os antigos romanos usavam esse pigmento em mosaicos, afrescos e vitrais e, mais para frente, os monges medievais a usavam para colorir manuscritos.

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“The Arnolfini Portrait”, de Jan van Eyck

Já na Idade Média, a cor da roupa indicava a posição social e a profissão de uma pessoa. Se o vermelho era usado pela nobreza, enquanto o marrom e o cinza eram usados ​​pelos camponeses, o verde era usado para designar os comerciantes, banqueiros e nobres. Conforme o uso deste pigmento foi aumentando, mais tons de verde começaram a ser desenvolvidos a partir de materiais naturais, como plantas, mas as cores sempre desapareciam com o tempo.

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Foi então que, em 1775 o químico sueco Carl Wilhelm Scheele inventou um matiz verde brilhante e mortal feito de arsenita, um dos produtos químicos mais tóxicos que existe. Chamado Scheele’s Green, era tão popular que, no final do século 19, havia substituído os corantes minerais e vegetais anteriores – mas sua invenção tinha um preço. Muita gente morreu por causa dele! Alguns historiadores, inclusive acreditam que o pigmento causou a morte do imperador francês Napoleão Bonaparte em 1821, já que o papel de parede de seu quarto apresentava o tom mortal.

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No final do século 19, um pigmento semelhante chamado Paris Green substituiu o verde de Scheele. No entanto, ainda era altamente tóxico. Esse foi o pigmento usado pelos impressionistas franceses, como Claude Monet, Paul Cézanne e Pierre-Auguste Renoir, para criar suas paisagens verdejantes. Alguns acreditam que o pigmento pode ter sido responsável pelo diabetes de Cézanne e pela cegueira de Monet. Na década de 1960, ele foi proibido.

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O verde hoje

Apesar de ser associado à ecologia e de todos os avanços na tecnologia de cores, a produção de corantes e pigmentos verdes ainda é difícil e muitos tons continuam apresentando substâncias tóxicas. Um dos tons mais comuns hoje em dia é o chamado Pigmento Verde 7, utilizado em plásticos e papel, que contém cloro e quando consumido é conhecido por causar doenças e até a morte. Outro tom popular é o Pigmento Verde 36, que possui átomos de cloro e de brometo potencialmente perigosos. Além disso, o popular Pigment Green 50 é um coquetel tóxico de cobalto, titânio, níquel e óxido de zinco.

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Fotos 1 e 2: Wikimedia Commons

Fotos 3, 4 e 5: Pantone


Gabriela Glette
Uma jornalista e produtora de conteúdo que mora na França. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias. Gabriela também é fundadora do site Quokka Mag, onde fala apenas sobre coisas boas!

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