Ciência

A possível razão evolutiva dos pequenos orifícios acima da orelha de algumas pessoas

por: Vitor Paiva

Nosso corpo tem muito mais detalhes, segredos, mistérios e singularidades do que somos capazes de ver em um primeiro olhar – e não é incomum, diante de um espelho ou do mero acaso, descobrir em algum cantinho de nós mesmos algo que jamais havíamos visto. Recentemente a internet se pôs em polvorosa por conta de um desses detalhes, com somente um milímetro, na parte superior da orelha, que muita gente descobriu que possui: um pequeníssimo orifício, como um buraquinho diminuto no topo da cartilagem da orelha. Trata-se do seio pré-auricular ou fossa, uma malformação congênita que aparece em cerca de 4% a 10% da população – que seria remanescente evolutivo de uma guelra, como dos peixes.

Trata-se de formação essencialmente inofensiva sem sintomas adicionais, que devem ser mantidas higienizadas para não serem infectadas. A variação é mais comum em populações do leste da Ásia (10% da população) e menos comum em descendentes africanos (5% da população) e caucasianos (0,5%). Não há consenso na comunidade científica sobre a origem do seio pré-auricular, mas alguns biólogos estudiosos da evolução afirmam se tratar de um resquício de guelras como a dos peixes – para alguns biólogos, a orelha humana vem evolutivamente das guelras.

Como costuma acontecer na internet, diversas pessoas que possuem o seio pré-auricular foram em encontro, mostrando em imagens suas pequenas fossas ancestrais no topo de suas orelhas. A malformação foi primeiro documentada em 1864 pelo cientista Van Heusinger, e pode acontecer em uma só orelha como nos dois lados. Pelo visto muita gente ainda carrega um pouco de peixe em seu corpo, nos lembrando do quão complexo é nosso processo evolutivo ao longo de milhões de anos – e como nosso corpo sempre nos reserva as mais inesperadas surpresas. O encontro virtual dos que possuem o seio pré-auricular ou fossa foi reunido em reportagem pelo site Bored Panda.

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© fotos: Bored Panda


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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