Debate

Adolescente negro de 15 anos encontrado morto após sequestro na porta de casa gera protestos; família suspeita de PMs

por: Karol Gomes

Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, saiu da casa da avó no domingo (14 de junho) e nunca mais voltou. Após ser sequestrado por dois homens armados e fardados, o jovem foi encontrado morto, na segunda-feira (15), em Diadema, na Grande São Paulo, cidade vizinha ao bairro da Vila Clara, onde morava, na zona sul da cidade. Ele tinha marcas de tiros nas mãos e na cabeça. 

A família suspeita que policiais militares estejam envolvidos no caso, já que no local em que o menino foi visto pela última vez, foi encontrado um pedaço de pano semelhante a farda utilizada pela corporação com a inscrição “SD PM Paulo”. Um parente do garoto falou também sobre uma possível ligação de dois homens que atuam como segurança de um galpão da Sabesp, localizado na Rua Álvares Fagundes. 

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Ele acredita que momentos antes de Guilherme deixar a residência da avó, alguns meninos teriam entrado no galpão e feito “uma bagunça por lá”. Os garotos teriam deixado o local correndo e, nesse instante, Guilherme teria saído para rua e sido abordado. “Para mim confundiram ele com quem teria entrado na Sabesp”, afirmou em entrevista para o El País Brasil. 

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A perda revoltou a população do bairro. Moradores indignados fecharam a Avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira no final da tarde em protestos pedindo justiça. Eles queimaram ônibus e enfrentaram barreiras policiais. Vídeos obtidos pela Ponte Jornalismo mostram um jovem sendo agredido por dois PMs nas imediações da avenida Fulfaro. A Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio denunciou as ações truculentas da PM na região.

“Ele era super tranquilo, amoroso, a gente nunca viu ele brigando. O Guilherme era muito querido na região. A manifestação foi por causa dele, todo mundo gostava dele”, contou o parente.

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Questionada sobre o homicídio de Guilherme, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, liderada pelo coronel João Camilo Pires de Campos neste Governo de João Doria (PSDB), afirmou que o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) comanda a investigação. 

“A Polícia Militar também acompanha a apuração. Se comprovada participação policial, medidas cabíveis serão adotadas”, afirma a pasta sobre a suspeita da família do rapaz.

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A PM de São Paulo falou em comunicado sobre a suspeita de que policiais militares teriam sequestrado Guilherme. Segundo a corporação, a Corregedoria e o batalhão da PM da área ajudam a Polícia Civil na investigação. 

“Dois homens civilmente trajados teriam raptado o jovem que foi encontrado morto horas depois. Não há indícios concretos até o momento da participação de qualquer policial”, encerra. 

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Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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