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Alemanha teme 2ª onda de coronavírus e anuncia novo confinamento após surto em abatedouro

por: Yuri Ferreira

A Alemanha foi o primeiro país da Europa a ensaiar uma reabertura após ter ultrapassado o suposto pico dos casos do novo coronavírus. O país mais influente da Zona do Euro foi capaz de conter de maneira eficaz a doença e foi o primeiro a retomar as aulas escolares e o campeonato de futebol masculino profissional, a Bundesliga. Entretanto, um surto em um frigorífico na região da Renânia do Norte-Vestfália acendeu o farol amarelo para uma possível segunda onda do vírus nas terras germânicas.

Cerca de 1500 de 7000 funcionários de um frigorífico em Gütersloh testaram positivo para o novo coronavírus, um dos mais graves surtos que o país enfrentou até agora. Um rígido lockdown foi implantado na região da Renânia do Norte, mais populosa província da Alemanha, onde ficam cidades como Colônia, Dusseldorf e Bunn, além da fronteira com Países Baixos e Bélgica. A taxa de infecção do vírus no país, que estava em 1,7 subiu para 2,88. Isso significa que a cada 100 pessoas contaminadas, outras 288 vão contrair o vírus também, o que pode levar a um risco de colapso na saúde pública.

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Na região de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, os comércios funcionam normalmente no pós-quarentena

Foram identificados 24 casos fora os funcionários. Casos semelhantes estão se espalhando pelos países; com a abertura de fronteiras, é natural que o vírus se espalhe e a flexibilização da quarentena pode levar a um espalhamento maior do vírus. Ambientes como os frigoríficos, com temperaturas baixas e sem circulação de ar são os ambientes mais propícios para surtos da Covid-19. Nos EUA e em Santa Catarina, no Brasil, foram observadas situações similares.

Na Coreia do Sul, o número de casos de junho cresceu em comparação a março e abril, mostrando que a reabertura vai levar, de uma maneira ou de outra a um aumento pequeno de casos. Na Nova Zelândia, um dos primeiros países a zerar o número de casos ativos de covid-19 no mundo, novas contaminações aconteceram por causa de um casal de amigos que trouxe o vírus da Inglaterra.

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Também no nosso país, a reabertura em São Paulo já mostrou as suas garras: foram 9 mil infectados e 434 mortes em 24 horas, um recorde, segundo boletim da Secretaria Estadual de Saúde. A ideia de que já se havia chegado em um ‘pico’ ou em um ‘platô’ de casos se mostra incorreta. Na segunda semana do mês de junho, uma reabertura do comércio havia sido implantada por João Dória.

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A Bundesliga foi retomada, em decisão polêmica, após a covid-19

Nesse momento, vale dar uma ouvida em Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, que pediu cuidado nas reaberturas em recente coletiva de imprensa:

“Não se trata de uma decisão entre vidas e economia. É possível fazer ambos. Pedimos às nações que se mantenham cuidadosas e criativas para achar solução que mantenham as pessoas seguras enquanto a vida volta ao normal. Nós pedimos com urgência para que todos os países do mundo invistam de maneira redobrada em medidas saúde pública que funcionam:

Testagem em massa funciona.

Isolamento e cuidado aos doentes funciona.

Mapear possíveis infectados e mantê-los em quarentena funciona.

Dar o máximo de proteção aos profissionais de saúde funciona.

Ao mesmo tempo, essas medidas só irão funcionar se cada indivíduo tomar as medidas que sabemos ser eficazes: manter o distanciamento social, lavar as mãos e usar máscaras.”                

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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