Debate

Antirracistas jogam no rio estátua de comerciante de escravizados e prefeito defende ato

Yuri Ferreira - 08/06/2020

Durante os protestos contra o racismo na cidade de Bristol, na Inglaterra, a estátua de Edward Colston foi derrubada. Colston era um comerciante de escravizados e se tornou um proeminente símbolo do imperialismo britânico. Na luta por igualdade racial, os iconoclastas da Terra da Rainha derrubaram sua estátua e a jogaram nos canais da cidade, em uma ação que se tornou simbólica e inspiradora, fazendo que, ao redor do mundo, muitas estátuas que glorificam a supremacia branca fiquem com medo da revolta.

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Bristol era uma cidade portuária que fazia a “distribuição” de pessoas escravizadas sequestradas da África Ocidental para colônias britânicas no Caribe e no que hoje se chama de Estados Unidos da América. Colston era um dos principais comandantes dessa operação, enriquecendo e se tornando uma proeminente figura política aos custos de milhares de vidas negras.

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O prefeito de Bristol, Marvin Rees, disse que “não sentiu falta da estátua”. Ele é do Partido Trabalhista e seu pai é da Jamaica, um país afetado pela escravidão e pela colonização britânica. Já o premiê britânico, Boris Johnson, um “tory”, membro do Partido Conservador (do qual Colston fez parte), afirmou através de um porta-voz que se tratava de um ato criminoso.

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“As pessoas podem fazer campanhas pela remoção de uma estátua, mas o que aconteceu ontem foi um ato criminoso e quando as leis são quebradas, é essencial que a polícia puna os responsáveis. O primeiro-ministro entende a força do sentimento antirracista, mas nesse país as diferenças são resolvidas democraticamente, e se as pessoas queriam que a estátua fosse removida, deveriam fazer isso por vias democráticas.”

Veja o vídeo da estátua sendo jogada nos canais:

A estátua de Colston mostrou um grande problema do mundo ocidental. A glorificação de pessoas que fizeram sua riqueza através do genocídio e da opressão, especialmente pelo colonialismo, parece inerente a cada Estado Nacional do Ocidente. Na Bélgica, negros penduraram uma bandeira da República Democrática do Congo sob a estátua do Rei Leopoldo II, o psicopata que comandou um dos maiores genocídios da história, que levou à morte de mais de 10 milhões de congoleses:

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“Não há estátuas de Hitler em pleno centro de Berlim; por que tenho que passar em frente a esse tirano todos os dias?”, questionou à Folha de São Paulo o belga Simoon Schoovaerts.

No Brasil, os memes começaram a explodir;

 

A nossa querida Nath Finanças explicou o porquê de estátuas não serem um documento histórico, mas a glorificação de um passado racista e genocida no nosso país:

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.

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