Futuro

Após assassinato de George Floyd, maioria de conselheiros quer dissolução da polícia de Minneapolis

por: Vitor Paiva

O assombroso assassinato de George Floyd na cidade de Minneapolis, no estado de Minnesota, por um policial que se ajoelhou no pescoço de Floyd, sufocando-o à morte, levou o Conselho da Cidade a admitir o óbvio: o evidente comportamento racista e sanguinolento da polícia exige uma reforma total e absoluta da corporação, na direção de um “novo modelo de segurança pública”. Assim, o Conselho debate o fim do departamento de polícia local para a criação imediata do novo modelo. George Floyd, um homem negro de 46 anos, morreu após permanecer quase nove minutos sendo sufocado pelo policial Derek Chauvin, que se ajoelhou diretamente sobre o pescoço de Floyd enquanto a vítima implorava pela própria vida afirmando que não conseguia respirar.

“Não consigo respirar”, diz o grafite repetindo a frase de George Floyd, retratado no desenho © Wikimedia Commons

Nove membros do Conselho – equivalente, no Brasil, à Câmara Municipal com seus vereadores – leram, no último domingo, uma declaração para centenas de manifestantes. “Estamos aqui porque aqui em Minneapolis e nas cidades dos Estados Unidos nosso sistema atual de policiamento e segurança pública não mantém nossas comunidades seguras”, afirmou Lisa Bender, presidente do conselho da cidade. “Nossos esforços para uma grande reforma falharam. Ponto final.” Os detalhes da revisão, segundo Bender, ainda serão debatidos no Conselho, mas incluem mudanças no próprio financiamento da polícia, na direção de estratégias comunitárias. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, arrancou vaias intensas dos manifestantes ao se opor à decisão.

A conselheira Alondra Cano discursando no último domingo © Jerry Holt/Star Tribune

Na segunda-feira, quatro conselheiros apresentaram um primeiro plano para alterar o financiamento, reduzir a violência e limitar a necessidade do uso de armas pela corporação. Aos críticos que sugerem que a medida visaria acabar com a polícia de modo geral, o conselheiro Jeremiah Ellison respondeu. “Acredito que há um erro que muitas pessoas estão cometendo ao pensar que estamos falando em abolir a segurança,” disse Ellison. “Não, estamos falando em abolir uma estrutura fracassada de uma polícia que não nos mantém seguros”. A ideia é debater intensamente o novo modelo com o público, a fim de levantar mais soluções locais e comunitárias.

A polícia de Minneapolis durante os protestos © REUTERS

O assassinato de Floyd desencadeou uma onda de protestos em todo o país e pelo mundo a partir do dia 26 de maio, alcançando 750 cidades em todos os 50 estados dos EUA, e mais 50 países. Mudanças diretas foram estabelecidas pelo conselho, proibindo, por exemplo, o uso de estrangulamento como medida de contenção por políciais, e uma investigação sobre direitos civis foi estabelecida em todo o estado pelo governador Tim Walz, a fim de eliminar o que chamou de “racismo sistêmico que é profundo nas gerações”. Depois do início das manifestações os quatro policiais envolvidos no crime foram demitidos da polícia e depois presos, mas a demora na resolução do caso ajudou a incendiar a revolta popular.

O ex-policial Derek Chauvin preso pelo assassinato de Floyd © Handout/Hennepin County Jail/AFP

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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