Debate

Capacitismo: este vídeo explica porque tratamos pessoas com deficiência da forma errada

por: Karol Gomes

“Será que o mundo está preparado para entender que pessoas com deficiência não estão aqui pra inspirar pessoas sem deficiência a darem mais valor a sua vida ou corpo?”. É o que questiona a influenciadora digital Mariana Torquato em suas redes sociais. Após se deparar com mais um post comparando a situação de uma pessoa com deficiência (assim como ela) com a de uma pessoa sem deficiência, ela decidiu fazer um vídeo muito didático sobre capacitismo

Na imagem criticada por Mariana, aparece uma mulher que improvisou a própria cadeira de rodas para transportar objetos pesados, superando barreiras de locomoção que enfrentaria por ter uma deficiência física. Uma legenda acompanha: “A gente reclama da vida tão fácil por tão pouca coisa”, sugerindo que pessoas sem deficiência física deveriam ser agradecidas por não terem a mesma dificuldade da pessoa na foto. 

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“Esses vídeos e fotos de pessoas com deficiência fazendo atividades comuns, que não seriam nada inspiradoras quando realizadas por pessoas sem deficiência, são muito compartilhadas por aí. E o que causa esse sentimento de pena e emoção é o capacitismo que mora dentro de você”, escreveu Mariana. 

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Ela explicou que esta linha de pensamento é uma consequência da ideia que pessoas com deficiência são incapazes e, portanto, qualquer coisa que façam é considerado um exemplo de superação. 

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“Olha, no dia que eu subir o Everest com uma mão só, aí sim pode me chamar de exemplo de superação, mas se eu tiver lavando uma louça ou cortando uma cebola, entenda que eu to só sobrevivendo mesmo, assim como você”, justificou a youtuber do canal “Vai uma mãozinha aí?”

No vídeo, Mariana descreve ainda o sentimento provocado pelo capacitismo. “É como se estivéssemos nesse mundo para que você sinta pena e se inspire a ser uma pessoa melhor que não reclama tanto”, disse.

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Fotos: Reprodução / Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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