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Coronavírus já matou 287 índios e moradores denunciam invasões e falta de fiscalização

por: Yuri Ferreira

Segundo o  Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena, mais de 287 indígenas morreram em decorrência do novo coronavírus desde a chegada da doença no Brasil. Mais uma face perversa da doença se revela em nosso país: o risco de causar um verdadeiro genocídio contra os povos originários. Os principais responsáveis são os invasores das terras indígenas, como as mineradoras e os grileiros.

– Garimpeiros avançam e desmatamento em terras indígenas aumenta 59% durante a pandemia

Os indígenas foram exterminados pela gripe e pela varíola no passado; agora, já sofrem com o novo coronavírus

Um estudo de antropólogos e geógrafos liderados pela demógrafa Marta Azevedo, da UNICAMP, mostra que 81 mil indígenas estão em situação crítica. A probabilidade de risco entre os povos é maior pelo baixo acesso à equipamentos de proteção, distância de centros hospitalares com respiradores e algumas aldeias possuem alta população de idosos.

Uma das situações mais graves é a do povo yanomami. Eles têm tido que batalhar em duas frentes durante a maior pandemia dos últimos 100 anos: a defesa de suas terras de garimpeiros que estão invadindo a região e a tentativa de se proteger do vírus que os invasores estão trazendo.

– Coronavírus não muda realidade da Amazônia e desmatamento sobe mais de 200%

“Estamos acompanhando a doença covid-19 na nossa terra, já são 55 casos, e estamos muito tristes com as primeiras mortes dos yanomami. Nossos xamãs estão trabalhando sem parar contra a xawara. Vamos lutar e resistir, mas, para isso, precisamos do apoio do povo brasileiro, porque o Governo não está se importando com a vida dos indígenas”, afirmou ao EL PAÍS, Dário Kopenawa, filho do líder Davi Kopenawa.

Um estudo da UFMG com o Instituto Sócio Ambiental reitera que “o desaparecimento repentino dos mais velhos, conhecidos como ‘bibliotecas vivas’, pode impactar na reprodução social dos yanomami e implica em consequências irreversíveis para a sobrevivência do patrimônio cultural do povo yanomami e ye’kwana”.

– Yanomami, que podem ter 40% de infectados pelo coronavírus, sofrem ataque ambiental impressionante

O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (18) um projeto de lei emergencial para dar auxílio aos povos indígenas. Entre as medidas estão:

  • acesso à água potável;
  • distribuição gratuita de materiais de higiene, limpeza e desinfecção;
  • garantia de equipes multiprofissionais de saúde indígena (EMSI), qualificadas e treinadas para enfrentamento da Covid-19, com disponibilização de local adequado para quarentena, bem como acesso a equipamentos de proteção individual (EPIs);
  • disponibilização de testes de identificação do vírus (rápidos e RT-PCRs), medicamentos e equipamentos médicos adequados para o combate ao Covid-19;
  • estrutura para o atendimento aos povos, como, por exemplo: oferta emergencial de leitos e ventiladores; acesso a ambulâncias para transporte fluvial, terrestre ou aéreo; construção emergencial de hospitais de campanha em municípios próximos a aldeias com maiores casos de contaminação pelo coronavírus;
  • distribuição de materiais informativos sobre sintomas da Covid-19;
  • pontos de internet nas aldeias para viabilizar acesso à informação;
  • garantia de financiamento e construção de casas de campanha para o isolamento de indígenas nas comunidades.

O projeto agora vai para a sanção do Presidente Jair Bolsonaro, que pode sancionar integralmente, parcialmente ou vetar a ideia.

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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