Debate

Drag queen negra expõe racismo ao citar pedido de show ‘vestida de escrava’

Redação Hypeness - 25/06/2020

Quem diz que o racismo acabou, precisa ouvir relatos como os de Shea Coulée. A drag queen, ex-participante da nona temporada de “RuPaul’s Drag Race” e da quinta temporada de “RuPaul’s Drag Race All Stars”, contou, durante uma transmissão no Twitch, sobre a vez em que uma colega de uma casa noturna sugeriu que ela se vestisse de escrava para realizar uma performance. 

A história foi revelada durante uma transmissão feita pelo Twitch, serviço de streaming para lives de jogos. Shea e outras drag queens de Chicago, nos EUA, conversavam sobre suas experiências pessoais de racismo na cidade americana. Entre elas, estava T Rex, responsável pelo comentário infeliz. 

Shea Couleé: drag queen se posiciona sobre episódio de racismo com colega.

“Você disse que seria engraçado se a gente fizesse um número especial para o mês da história negra (celebrado em fevereiro nos EUA) e eu me vestisse de escrava enquanto o resto de vocês me chicotearia. Você se lembra disso?”, perguntou Shea. Constrangida, T Rex respondeu, hesitante, que se lembrava. 

Shea disse ainda que, não fosse por “Rupaul’s Drag Race”, ela teria continuado a encontrar dificuldades de arranhar trabalhos em outros lugares. A drag queen culpou T Rex, também conhecida como Benjamin Bradshaw, por isso. “Eu queria que você soubesse que essa experiência permaneceu na minha cabeça por um longo tempo porque você era alguém que eu considerava um amigo”, completou.

Houve vezes que você achava que eu era ousada demais, me diminuía e me impedia de trabalhar. Você afetou diretamente a forma como eu ganhava a minha vida, o que é um ato de violência e eu preciso que você entenda isso hoje.

https://www.youtube.com/watch?v=3HaBqxfxJHQ

O depoimento correu as redes sociais e fez com que duas tradicionais casas noturnas de shows drag demitissem T Rex. A Roscoe’s Tavern e a Berlin Nightclub afastaram a drag queen. “Nós decidimos encerrar nossas relações com T Rex. Nós não colaboramos com comportamos racistas ou que machuquem outras pessoas. Pedimos desculpa por termos permitido esse tipo de atitude no nosso espaço e prometemos melhorar”, dizia o comunicado da Berlin. 

“O fato de eu praticamente ter tido que implorar por um pedido de desculpa me mostrou que lugar eu ocupava para você não só como uma pessoa, mas especificamente como uma pessoa preta”, desabafou Shea. 

Em uma carta aberta enviada a T Rex, mais de 50 drag queens de Chicago se comprometeram a nunca mais trabalhar com ela, a não ser que ela mude. Entre as demandas exigidas por elas estão o fim de micro-agressões, “ditadura” sobre a seleção de performances e parar de ter padrões variáveis dependendo de quem seja a artista. 

Jaren Kyei Merrell, verdadeiro nome de Shea Couleé, durante os protestos pela morte de George Floyd, em 2020.

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Foto 1: Getty Images / Foto 2: Reprodução YouTube / Foto 3: Reprodução Instagram / Foto 4: Getty Images


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