Diversidade

Ex-consulesa da França critica escolha de William Waack para comentar protestos antirracistas na CNN

por: Karol Gomes

Será que William Waack foi realmente punido pela sua fala racista, “vazada” em 2017, enquanto ainda estava no comando do ‘Jornal da Globo’O episódio levou a sua demissão da Rede Globo, mas logo o jornalista já estava recebendo convites de outras emissoras e participando de entrevistas onde justificava seus atos, até ser convidado pela CNN Brasil para voltar a bancadas de jornal

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Ironizando ainda mais a situação, a emissora escalou ninguém menos que Waack para comentar os protestos antirracismo que estão tomando os Estados Unidos e o mundo após o assassinato de um homem negro, George Floyd, pelas mãos de um policial branco em Minnesota. 

Diante dessa situação, a jornalista e ex-consulesa francesa Alexandra Loras aproveitou a oportunidade de participar de um debate da CNN para reclamar da participação do jornalista. 

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Ao vivo tarde dessa terça-feira (2), ela relembrou que o âncora já havia sido demitido da TV Globo em função de comentários racistas. “Hoje, a CNN e toda mídia brasileira têm o poder de convidar acadêmicos negros para conversar sobre essa temática. Quando vejo o William Waack, que foi mandado embora por um episódio de racismo, e hoje ele debater tanto tempo sobre o racismo… Eu acho que deveríamos também convidar negros para debater sobre essas questões”, disse ela, enquanto era entrevistada por Daniela Lima no programa ‘CNN 360º‘.

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E ela não foi a única que estranhou a presença de Waack nos debates. Muita gente se manifestou online, falando sobre a má escolha do canal:

Loras referia-se ao vídeo em que mostra William Waack conversando nos bastidores durante a cobertura do ‘Jornal da Globo‘ sobre de Donald Trump na eleição presidencial, em 2016. As imagens mostram o jornalista xingando um motorista que passa buzinando.

“Está buzinando por que, seu merd* do cacete? Deve ser um, com certeza, não vou nem falar de quem, eu sei quem é, sabe o que é?”, disse ele, que cochicha a palavra ‘preto no ouvido do entrevistado ao seu lado. 

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No mesmo dia que o vídeo vazou, em 8 de novembro de 2017, Waack foi afastado pela direção da TV Globo, que alegou em nota oficial: “Ao que tudo indica, [o comentário foi] de cunho racista”.

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Um mês depois, a Globo finalmente anunciou a rescisão do contrato com Waack, depois de um acordo entre as duas partes. No comunicado, a emissora ressaltou que não tolera “racismo em todas as suas formas e manifestações”, embora o jornalista negue ter agido de forma preconceituosa. 

Procurada após a reclamação de Alexandra, a assessoria da CNN Brasil disse que não iria se manifestar sobre o assunto.

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‘Não sou racista, minha obra prova’

Em artigo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, em janeiro de 2018, William Waack pediu desculpas pelo ocorrido e disse que a fala foi uma piada idiota, mas sem intenção racista.

Em outro trecho, Waack admite a existência de racismo no Brasil. “Sim, existe racismo no Brasil, ao contrário do que alguns pretendem. Durante toda a minha vida, combati intolerância de qualquer tipo — racial, inclusive —, e minha vida profissional e pessoal é prova eloquente disso”, argumentou. 

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Foto - Alexandra Loras: Reprodução / Instagram
Foto1 - William Waack: Reprodução / CNN Brasil
Foto2 - William Waack: Wikimedia Commons
Foto3: Reprodução / CNN Brasil


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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