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Funcionários do Facebook fazem grande paralisação pública contra posição de Zuckerberg sobre verificação de informações

por: Karol Gomes

Após a decisão de executivos do Facebook, incluindo o fundador Mark Zuckerberg, de não fazer nada em relação a postagens inflamadas que o presidente americano Donald Trump postou na rede social na semana passada, centenas de funcionários da empresa fizeram críticas públicas à sua própria empresa. 

Nesta segunda-feira (1), foi declarada uma greve online por meio de uma mensagem automática, publicada nos seus perfis digitais e em respostas por e-mail nas quais diziam estar fora do escritório. O objetivo é apoiar os protestos que têm acontecido nos Estados Unidos após o assassinato de George Floyd, um homem negro, pela polícia branca de Minnesota. 

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O comitê que conduz a“greve virtual” — já que a maioria dos funcionários do Facebook está trabalhando de casa por causa da pandemia de coronavírus — foi um dos vários grupos de funcionários que pressionaram os executivos da empresa a adotarem uma posição mais dura sobre as postagens de Trump, que disse ser contra as manifestações.

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Dentro da empresa, os funcionários distribuíram abaixo-assinados e ameaçaram se demitir. Vários empregados escreveram publicamente sobre sua insatisfação no Twitter e em outros lugares. Mais de uma dúzia de funcionários atuais e antigos descreveram a agitação como o desafio mais sério à liderança de Mark Zuckerberg, o executivo-chefe, desde que a empresa foi fundada há 15 anos.

“O discurso de ódio que defende a violência contra manifestantes negros feito pelo presidente dos EUA não justifica a defesa sob o pretexto de liberdade de expressão”, escreveu um funcionário do Facebook em um quadro de mensagens interno, de acordo com uma cópia do texto vista pelo New York Times.

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O funcionário acrescentou: “Juntamente com os funcionários negros da empresa e todas as pessoas com consciência moral, peço que Mark remova imediatamente os posts do presidente que defendem violência, assassinato e ameaça iminente contra os negros”. O Times concordou em não divulgar  o nome do funcionário.

Em resposta à paralisação na segunda-feira, Zuckerberg mudou sua reunião semanal com funcionários para esta terça-feira, em vez de quinta-feira. No encontro, ele disse que a decisão foi “dura, mas bastante pensada”. Ele disse ainda disse que as postagens do presidente não violam as regras da rede social.

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“Pessoalmente, tenho uma reação visceralmente negativa a esse tipo de fala divisiva e inflamatória”, disse Zuckerberg em um post em sua página do Facebook na sexta-feira. “Mas sou responsável por reagir não apenas em minha capacidade pessoal, mas como líder de uma instituição comprometida com a liberdade de expressão”

Também nesta terça-feira, ativistas pelos direitos civis chamaram a decisão de Zuckerberg de “incompreensível”. “Estamos decepcionados e surpresos com as explicações incompreensíveis de Mark para que as publicações de Trump permaneçam”, afirmaram em nota conjunta Vanita Gupta da Leadership Conference on Civil and Human Rights, Sherrilyn Ifill da NAACP Legal Defense and Educational Fund, e Rashad Robinson da Color of Change. De acordo com os ativistas, Zuckerberg “não entende” o valor do voto e “se nega a admitir que o Facebook facilita os apelos de Trump à violência contra os manifestantes”.

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F0to: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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