Criatividade

‘Funkeiros Cults’ une literatura a referências musicais e linguísticas da periferia

por: Bárbara Martins

A literatura está tão próxima da periferia quanto a linguagem do funk. Este é apenas um dos ensinamentos disseminados pelo perfil do InstagramFunkeiros Cults“, que tem espalhado posts de obras literárias de nomes como Angela Davis, Karl Marx, Silvio Almeida, Freud, José Saramago e muitos outros intelectuais por meio de frases adaptadas para o vocabulário comum a periferias de diferentes regiões e estados do Brasil.

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Com mais de 123 mil seguidores no momento em que esta matéria foi escrita, o perfil compartilha fotos de seguidores acompanhados de livros e de pensamentos que resumem a obra. “A história da humanidade é a história da luta dos crias” é o que diz o post referente ao “Manifesto do Partido Comunista 1848”, de Karl Marx e Friedrich Engels, na didática e informativa linguagem da página.

Criado por iniciativa do jovem Dayrel Teixeira, de 21 anos, morador de Morrinho da Compensa, em Manaus, no Amazonas, o projeto nasceu da intenção de mostrar que não importa a forma de se vestir, o gênero musical favorito nem o lugar de onde se vem quando o assunto é amor pelo conhecimento e pela leitura.

Em entrevista ao site “Kondzilla“, Dayrel conta sobre discriminações e olhares de surpresa ao se mostrar fã de funk, mas também de literatura. “Trabalhei numa instituição de ensino em que as pessoas estranhavam meu gosto, meio que ‘qual é a desse chavoso funkeiro sabendo essas paradas'”, diz.

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“São pessoas reais mostrando que são funkeiras, são de periferia e gostam de jornalismo, de história. Nós curte um MC Lan, uma MC Dricka e filosofia”, comenta no site.

Mais uma das incontáveis provas de que a cultura e o saber periféricos não anulam o conhecimento acadêmico e erudito, o perfil dos “Funkeiros Cults” também conquistou o carinho e a admiração de professores de diversas partes do país.

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Em postagem da página com prints de comentários de docentes no grupo do projeto no Facebook, é possível observar o apoio de profissionais da educação ao projeto. “Sou professor e digo uma coisa com base na minha vivência: o diálogo com os crias que fortalece o ensino”, diz um dos usuários da rede social.

De forma a preservar a característica de representatividade periférica, o perfil dos “Funkeiros Cults” dá preferência a fotos de seguidores que, de fato, são de quebrada. Assim, as frases na bio “o juliet não impede de nós ver novos horizontes” e “não somos fantasia” não são esvaziadas de seus verdadeiros significados.

Para acompanhar mais postagens do perfil, basta seguir “@funkeiroscults“, no Instagram, e solicitar participação no grupo da iniciativa no Facebook, intitulado “Funkeiros Cults – último bailão do fim do mundo“. Mas, atenção: para fazer parte do grupo, é necessário responder a algumas perguntas indispensáveis. Se gosta de livros e de cinema, qual área de conhecimento te interessa mais e, claro, qual o nome do ou da MC que você mais gosta.

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@greicelicia

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Fotos: Reprodução


Bárbara Martins
Criada em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, é jornalista, fotógrafa e videomaker. Envolvida pela cultura, história e arte de subúrbios e periferias, dedicou pouco mais de dois anos à cobertura de pautas relacionadas à música como redatora do site Reverb, antigo parceiro do Rock in Rio. Em formação pela UFRJ, também tem experiência com produção de conteúdo para redes sociais, assessoria de imprensa e gravação de sessions e entrevistas.

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