Debate

Globonews escala só jornalistas negros em programa após críticas por representatividade

por: Karol Gomes

Após receber críticas justas nas redes sociais por debater a pauta do racismo e os protestos gerados após o assassinato de George Floyd pelo policial branco David Chauvin em Minneapolis, Minessota, sem a presença de jornalistas negros, a GloboNews tomou uma atitude.

– Blogueira branca assume fraude de cotas e perfil reúne outros farsantes no Twitter

A edição de quarta-feira (3) do programa ‘Em Pauta pauta pegou todo mundo de surpresa por algo que não deveria surpreender em um país com 55% de pessoas negras. O noticiário teve apenas homens e mulheres de pele preta. A ação é uma espécie de pedido de desculpas público da emissora pelos fatos ocorridos anteriormente. O apresentador, Marcelo Cosme, admitiu o erro ao vivo e passou o comando para o jornalista Heraldo Pereira, que recebeu como convidadas ao debate Zileide Silva, Flávia Oliveira, Maju Coutinho, Aline Midlej e Lilian Ribeiro.

– Ex-consulesa da França critica escolha de William Waack para comentar protestos antirracistas na CNN

GloboNews faz mea culpa em programa espcial sobre racismo

Antes, Marcelo Cosme leu um editorial sobre o assunto. Disse ele, reconhecendo o erro. “Os jornalistas que dividiram comigo a cobertura ontem, todos experientes e de alto nível profissional, eram todos brancos. Eu estaria mentindo se dissesse que foi um acidente”.

– Parcialidade racial: time da CNN Brasil gera debate sobre diversidade e presença de negros na mídia

Cosme mostrou no ar o ‘meme‘ com a imagem da bancada que esteve no programa na véspera, com a legenda provocativa: “Rapaziada… a pauta é racismo”. E afirmou, “nós entendemos o recado. E hoje a GloboNews convidou profissionais do mais alto gabarito do nosso time para discutir um tema que eles conhecem muito bem, porque o enfrentam em suas vidas”.

– EUA: confronto e viaturas destruídas após policial branco matar homem negro com o joelho

‘Em Pauta’ se baseou nos maiores protestos nos Estados Unidos desde o assassinato de Martin Luther King Jr. em 1968 para debater os efeitos do racismo no Brasil. Com dados e depoimentos pessoais, as comunicadoras citaram momentos contrangedores provocados pela violência que insiste em fazer parte da sociedade.

O programa da GloboNews, um dia antes, falando de racismo só com brancos

Zileide Silva, que já foi correspondente da Globo em Noya York e integrou o rodízido de apresentadoras do ‘Jornal  Nacional’, relatou um episódio de racismo vivido durante a realização de uma matéria e emocionou. Sobretudo jornalistas negros que convivem com o constrangimento gerado pelo preconceito.

Bastante emocionado, Heraldo Pereira exaltou a todo o momento as falas das colegas. O âncora que abriu caminho para a inserção de profissionais negros na televisão, anunciou que, a partir daquela edição, mais duas jornalistas farão parte do time fixo de comentaristas do próprio ‘Em Pauta’ e do ‘Jornal das 10’: Zileide Silva e Flávia Oliveira.

Ainda falta representatividade 

Embora o movimento da GloboNews tenha sido elogiado nas redes sociais, sobretudo pelo reconhecimento de uma postura excludente adotada anteirormente , muita gente olha com desconfiança. E com razão. A jornalista Camila Silva usou as redes sociais para pontuar que a emissora carioca usou quase todas as jornalistas negras do quadro para a atração.

Faz sentido, já que o IBGE mostra que 55% da população brasileira é negra. Essa realidade, no entanto, não se reflete na televisão, tampouco em telejornais. De acordo com pesquisa de 2017, da Revista Vaidapé, apenas 3,7% dos apresentadores brasileiros são negros. “Em valores absolutos, de todos os analisados, foram apenas 10 apresentadores negros contra 261 brancos”, diz o estudo que pode ser acessado aqui.

– Cacau Protásio chora ao falar no ‘Fantástico’ sobre racismo sofrido durante gravação

No encerramento, Heraldo Pereira voltou a fazer referência ao meme que criticou o programa na véspera por ter apenas comentaristas brancos. “Eu quero fazer um agradecimento especial ao Irlan Simões, que tuitou. Quero agradecer a ele e a todos que retuitaram”, disse. E reconhecendo mais uma vez o erro, acrescentou: “Às vezes, a gente acha que está fazendo tudo certo, mas a gente erra. E as redes sociais estão aí para nos ajudar a corrigir esses erros. Hoje e no futuro”.

Publicidade

Fotos: Reprodução/GloboNews


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Procon notifica Enel por valores abusivos em contas de luz em meio à pandemia; busque seus direitos