Ciência

Hábito irresistível de cheirar livros ganha finalmente uma explicação científica

por: Vitor Paiva

Se para a maioria de nós os livros são objetos a serem adorados e devorados com os olhos, através das histórias ou do conhecimento que oferecem, para alguns eles antes devem ser sentidos pelo nariz – pelo olfato por conta do singular (e irresistível) aroma que possuem. Se você é uma dessas pessoas que começa uma leitura pelas narinas, não se preocupe: a ciência explica essa inevitável obsessão de cheirar qualquer página, nova mas principalmente as maios antigas, antes de começar a ler. Como em quase tudo, a resposta está na química – e o cientista inglês Andy Brunning publicou um estudo para explicar o que há no perfume peculiar dos livros.

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Segundo Brunning, nos livros novos o caso é mais complicado de determinar com precisão a origem do odor: são centenas de compostos envolvidos na produção das páginas mas, para ele, três elementos seriam as fontes mais fortes do cheiro: as tintas, o adesivo usado na encadernação dos livros, e o próprio papel, assim como os produtos químicos utilizados em sua fabricação. No caso dos livros antigos, porém, o processo de envelhecimento e, assim, de liberação do tão característicos odor dos livros mais velhos, é mais fácil de ser compreendido e determinado – com traços de baunilha, amêndoa e cheiros doces como de flores.

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 O processo sucede a partir do desgaste da celulose e da lignina contidas no papel com o tempo – que provoca o amarelecimento das páginas e a liberação dos elementos orgânicos que provocam o tal cheiro. Além da baunilha, assim surge o benzaldeído (que mais parece um perfume de amêndoa), o etilbenzeno e etilhexanol, que provocam cheiros doces parecidos com o perfume de algumas flores. A qualidade mais elevada do papel utilizado nos livros mais novos, se por um lado garantem uma longevidade maior às publicações, inibem a liberação desses componentes – e a produção do cheiro irresistível para tantos dos livros antigos.

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E se você não costuma frequentar sebos, mantém toda sua biblioteca em formato digital com os e-books, mas sente saudade do perfume dos livros, não se preocupe: o cheiro já foi engarrafado, e é vendido em spray: só tome cuidado para não encharcar seu kindle, e boa leitura.

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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