Futuro

HBO retira ‘…E o Vento Levou’ de sua plataforma após movimentos contra o racismo

Vitor Paiva - 16/06/2020

Um dos mais celebrados, assistidos e premiados filmes em todos os tempos, …E O Vento Levou parece não ter envelhecido bem aos parâmetros da atualidade, e em um contexto de luta antirracista e de grandes protestos contra a violência policial e pela igualdade racial em todo o mundo como o atual, o filme de 1939 vem sendo alvo de críticas intensas. Em nome de tal revisão, o serviço de streaming HBO Max decidiu por retirar o filme de sua plataforma, pela obra retratar pessoas escravizadas como personagens conformados e proprietários de escravos como heróis.

Clark Gable e Vivian Leigh em cena do filme © reprodução/Getty Images

Em suma, o vencedor de 8 estatuetas do Oscar e uma das maiores bilheterias da história do cinema é um filme com traços racistas. Segundo John Ridley, diretor de 12 anos de Escravidão, escreveu em artigo, …E O Vento Levou “não fica apenas aquém da representação, mas ignora os horrores da escravidão e perpetua alguns dos estereótipos mais dolorosos das pessoas de cor” – e, por isso, segundo o diretor o filme deve mesmo ser retirado. O debate amplia o processo de revisão e remoção de símbolos racistas do passado, iniciado durante a série de protestos por conta do assassinato de George Floyd por um policial nos EUA no último dia 25 de maio.

A personagem Scarlett O’Hara (Vivien Leigh) em cena com a personagem Mammy (Hattie McDaniel, que se tornaria a primeira mulher negra a ganhar o Oscar pelo papel © reprodução

Dirigido por Victor Fleming e lançado em 1939, o filme é passado durante a guerra civil estadunidense contando a história de Scarlett O’Hara (vivida por Vivian Leigh) , filha de um latifundiário do sul dos EUA, em seu casamento com Rhett Butler (vivido por Clark Gable). Segundo um porta-voz da HBO Max, …E O Vento Levou é um produto de seu tempo, trazendo preconceitos étnicos e raciais ainda comuns na sociedade estadunidense. “Estas representações racistas estavam erradas na época e estão erradas hoje, e sentimos que manter este título disponível sem uma explicação e uma denúncia dessas representações seria irresponsável”, afirmou, em comunicado. A ideia é devolver o filme à plataforma no futuro, mas com um aviso sobre seu conteúdo junto com um debate sobre esse contexto histórico.

Multidão tomando os cinemas quando do lançamento do filme, em 1939 © The Associated Press

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© fotos: créditos/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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