Debate

Incêndio que atingiu Museu de História Natural da UFMG consumiu parte de material fóssil

Yuri Ferreira - 15/06/2020

Nas primeiras horas da manhã de hoje (15/06), um incêndio consumiu um prédio do Museu de História Natural  e Jardim Botânico da UFMG. Segundo o Corpo de Bombeiros, uma parte dos materiais fósseis no prédio foi perdida no incêndio, mas não há mais detalhes sobre as perdas. Esse é mais um dos capítulos da precarização e sucateamento das instituições públicas de ciências e história do nosso país.

O prédio atingido, que fica na região leste da capital mineira, continha parte do acervo do Museu que não ficava exposto para visitação. O MHNJB possui mais de 260 mil itens entre peças e coleção científica de plantas e reserva vegetal para estudo.

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Incêndio destruiu parte do acervo do Museu de História Natural da UFMG

Não foram divulgadas mais informações sobre as perdas até o momento. A Polícia Federal faz perícia no local para identificar a causa do fogo. A reitoria da universidade se manifestou através de nota que está pronta para auxiliar nas investigações e reiterar a importância do Museu para o nosso pais:

“A Reitoria da UFMG manifesta imenso pesar e se solidariza com a diretoria, com aqueles que integram o corpo funcional do Museu de História Natural e Jardim Botânico e com toda a comunidade que atua neste que é um importante patrimônio da Instituição. A Administração Central da Universidade ressalta que está tomando as medidas cabíveis neste momento e auxiliando as autoridades competentes na perícia. O MHNJB possui um precioso acervo e é um importante espaço de pesquisa, de extensão e de preservação histórica instalado em uma área com aproximadamente 600.000 m² com vegetação diversificada e típica da Mata Atlântica, que reúne, além das nativas, espécies exóticas e animais que não sofreram dano causado pelas chamas”, afirmou.

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O triste incêndio acontece menos de dois anos após a tragédia no Museu Nacional da UFRJ, que destruiu um dos principais acervos do nosso país.

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A redução dos recursos às Universidades Públicas, instituições responsáveis pela manutenção desses museus, tem sido feita desde 2015 por diversos governos (Dilma, Temer e agora, Bolsonaro). A diminuição de verba para manutenção e segurança dessas instituições dificulta profundamente a proteção desses patrimônios históricos e culturais do nosso país.

“A questão não é apenas de governos. Nem dos anteriores, nem dos futuros, nem do atual. A questão é da sociedade brasileira e de cada um dos seus membros. Quem é responsável? Nós todos, mas não individualmente. Apenas na forma de relação que estabelecemos uns em relação aos outros. O nosso ser social. A nossa dimensão coletiva”, afirmou Vasco Caldeira, professor nas Universidade São Judas Tadeu e Universidade Presbiteriana Mackenzie, em entrevista ao Hypeness em setembro de 2018, à luz da tragédia do Museu Nacional.

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Fotos: Divulgação/Corpo de Bombeiros


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.


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