Debate

Isolamento social por coronavírus aumenta casos de teleaborto nos EUA

por: Vitor Paiva

Apesar do aborto ser nos EUA um direito constitucional, nem sempre os meios para sua realização estão acessíveis às mulheres que precisam realizar o procedimento – seja por viverem longe de qualquer clínica, por não terem com quem deixar os filhos ou por qualquer outro impedimento. É aí que o teleaborto se apresenta como solução – um procedimento realizado remotamente, através do acompanhamento de exames e do envio de medicamentos controlados, capazes de interromper a gravidez, pelo correio. E apesar de ser proibido em 18 estados no país, no contexto da pandemia e da quarentena, exigindo de todos práticas de isolamento social, o teleaborto vem sendo cada vez mais solicitado por mulheres em todo o país.

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Conforme revela reportagem da BBC, uma organização de pesquisa científica em saúde que realiza o procedimento sob o nome de TelAbortion confirmou que em março e abril o número de mulheres atendidas dobrou. Antes de receberem os kits com os medicamentos abortivos pelo correio, as pacientes precisam realizar um ultrassom para comprovar que a gravidez se encontra abaixo ou dentro das 10 primeiras semanas, para só então realizar a consulta por videoconferência. Depois de realizada, a confirmação tem de ser feita através de um exame de urina e, segundo ginecologistas envolvidas, entre 13% e 15% das mulheres que solicitam o kit não respondem mais após.

Exemplo ilustrativo de medicamentos © Alamy Stock Photo

Os pacientes que recebem o procedimento através da TelAbortion concordam em colaborar com um estudo científico iniciado em 2016. O estudo visa avaliar a segurança e a acessibilidade do procedimento, que em outras pesquisas já foi avaliado como de baixo risco e alta eficácia – menos de 0,4% das pacientes são hospitalizadas. Para se realizar o procedimento, é preciso que a pessoa a receber o kit esteja em um estado onde o teleaborto é permitido, e que o médico que receitar o procedimento tenha licença médica nesse mesmo estado. O teleaborto é também permitido em países como o Canadá, Austrália e Colômbia.

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Há controvérsia ao redor do procedimento é total e, ainda que a TelAbortion tenha atendido, desde 2006 e até hoje, quase 1000 mulheres, Diversos congressistas republicanos por todo o país vêm apresentando leis que visam proibir o teleaborto, afirmando que o método não oferece qualquer assistência médica e coloca a saúde da mulher em risco – a OMS alerta que existem contra-indicações para o chamado “aborto medicamentoso”, como alergia, insuficiência adrenal crônica e outras.

 

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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