Debate

Jogadores se manifestam sobre genocídio negro e silêncio de Neymar é criticado

por: Karol Gomes

A morte George Floyd, em Minnesota, nos Estados Unidos, pelas mãos de um policial branco, tem causado uma onda de indignação e reaberto a discussão sobre racismo institucional. No Brasil, casos como esses também são frequentes e as comparações, inevitáveis. Os assassinatos de João Vitor, baleado durante uma entrega de cestas básicas no Rio de Janeiro e João Pedro, baleado dentro de casa durante uma operação também na capital carioca, são as nossas perdas mais recentes para a violência policial.

Enquanto nos Estados Unidos a manifestação antirracismo de atletas de diferentes esportes já é comum, no Brasil, craques do futebol estão surpreendendo por se posicionarem. Neste domingo, o volante Gabriel, do Corinthians, utilizou as redes sociais para se manifestar. Em uma publicação, ele escreveu: “#VidasNegrasImportam”. Logo depois, fez outra publicação, com a foto de pessoas negras assassinadas nos últimos 40 dias “por forças policiais e a supremacia branca”, como diz a imagem.

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Outros jogadores brasileiros, como Vinicius Jr, do Real Madrid (Espanha), Richarlison, do Everton (Inglaterra) e Gabriel Jesus, do Manchester City (Inglaterra), também se manifestaram em meio ao debate sobre racismo e em apoio aos protestos que têm tomado as ruas dos Estados Unidos e começam a chegar ao Brasil.

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No domingo, torcidas organizadas dos principais clubes brasileiros foram às ruas contra o racismo, além de um movimento único antifascista e em defesa da democracia, depois de posicionamentos nazistas por parte do governo Bolsonaro e apoiadores.

Em São Paulo, membros da Gaviões da Fiel, a torcida organizada do Corinthians, ocuparam a Avenida Paulista, junto com torcedores do Palmeiras e de outros clubes. No Rio, flamenguistas protestaram em Copacabana.

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Os pronunciamentos de estrelas do futebol têm sido considerados positivos pelo movimento negro por dar luz ao debate sobre racismo no Brasil e no mundo e pela influência que estes atletas podem gerar em seu público nas redes sociais.

Mas, entre os grandes nomes do futebol brasileiro, ainda tem gente em silêncio. Neymar foi comparado ao colega de clube, o francês Kylian Mbappé, que já se posicionou a respeito do assassinato de George Floyd, pedindo justiça. Enquanto isso, o brasileiro mais seguido do mundo tem publicado campanhas publicitárias, frases motivacionais sobre a própria carreira e brincadeiras com o filho em suas redes sociais.

O influenciador digital Felipe Neto foi um dos primeiros a chamar atenção para, não somente o silêncio de Neymar, mas também para o fato de que o jogador segue fazendo publicações como se estivesse ignorando o cenário político atual.

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Por outro lado, há quem defenda que Neymar não precisaria se pronunciar agora, pois a questão de raça para ele, que é um homem negro mas já disse que não se considera um, parece ser mais complexa.

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Protestos offline

Em 1968, antes de ser imaginável ter manifestações online, que impactam milhares de pessoas, os atletas Tommie Smith e John Carlos levantaram os punhos cerrados, usando uma luva preta, durante a cerimônia de entrega de medalha dos Jogos Olímpicos do México.

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No ano em que Martin Luther King, o ativista pacífico, foi assassinado e Malcom X, o ativista agressivo, também, a luta dos negros americanos contra o racismo atinge novos patamares. Os atletas negros consideraram a possibilidade de simplesmente boicotar a participação nas olimpíadas. Não chegaram a tanto. Mas criaram uma associação que deixava clara sua insatisfação com as coisas como eram, a OPHR, as iniciais em inglês de Projeto Olímpico pelos Direitos Humanos.

Em 2016, foi o gesto do então quarterback do San Francisco 49ers, Colin Kaepernick, ao se recusou a levantar durante o hino nacional americano, que marcou o protesto nos esportes. A atitude de Colin foi um repúdio ao “tratamento que os negros recebiam nos EUA”, e inspirou outros atletas da liga a fazerem o mesmo até hoje.

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Foto: Reprodução / Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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