Debate

‘Krespinha’: Bombril lança marca com viés racista e reabre traumas sobre cabelo crespo

por: Karol Gomes

Estamos em 2020, mas parece que o pessoal de marketing da Bombril ficou nos anos 50. A marca está sendo criticada online por resgatar um produto com histórico racista: a esponja de aço inox com o nome “Krespinha”, que já foi associado de maneira pejorativa comum ao cabelo crespo, uma das principais característica de pessoas negras. A hashtag #BombrilRacista foi um dos assuntos mais comentados do Twitter hoje pela manhã.

Um produto chamado “Krespinha”, da S. A. Barros Loureiro Indústria e Comércio, era vendida na loja Sabarco, em São Paulo. A divulgação em 1952 levava uma menina negra no logo, o seu cabelo tinha o mesmo formato que a esponja de aço. A campanha também trazia a frase “as suas ordens”, colocando em tom de servidão.

E a Bombril nem precisaria ter ido tão longe para ser associada com racismo. Por anos, “cabelo de bombril” foi um apelido comum para pessoas negras que usam o black naturalmente. Este tipo de ofensa colabora para uma construção de imagem negativa e baixa auto-estima da população preta, que é a maioria no país. A marca nunca havia incentivado os apelidos, mas também nunca se pronunciou contra. 

No site da Bombril, o produto era definido como “perfeita para a limpeza pesada”, sendo utilizada para a remoção de sujeiras e gorduras “de um jeito rápido e eficaz, sem esforço”. No final da manhã, ele foi retirado do ar. Procurada, a empresa não respondeu até o momento aos questionamentos.

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Fotos: Reprodução


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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