Futuro

Londres quer retirar estátuas e nomes de ruas relacionadas com opressão da escravidão

por: Vitor Paiva

A onda de protestos contra o racismo que vem varrendo o mundo desde o brutal assassinato de George Floyd levou manifestantes ingleses a corrigirem um terrível traço simbólico que marcava a cidade de Bristol como ainda marca tantas outras cidades britânicas – e derrubaram e atiraram ao rio a estátua do antigo mercador de pessoas escravizadas Edward Colston no último dia 7. Desde então, tanto o prefeito de Londres quanto o Conselho Municipal de Manchester decidiram fazer coro ao gesto e afirmaram que iram revisar todas as estátuas das cidades na intenção de remover as que tiverem conexão com a escravidão ou o racismo.

A estátua de Edward Colston antes de ser derrubada © Getty Images

“É uma verdade desconfortável que o nosso país e a nossa cidade devam uma boa parte do seu bem-estar ao seu papel no comércio de escravos”, declarou Sadiq Khan, prefeito da capital inglesa. “Os protestos do Black Lives Matter trouxeram isso corretamente à atenção pública, mas é importante que nós tomemos os passos corretos para trabalharmos juntos para trazer mudanças e garantir que nós podemos ser orgulhosos da nossa paisagem pública”, complementou. Segundo o prefeito, o processo de revisão se dará através de uma comissão, que irá analisar os nomes de estátuas, ruas e edifícios públicos a fim de garantir a representatividade diversa em Londres.

Além disso, a comissão também será encarregada de selecionar novos legados a serem comemorados em novas estátuas para o lugar das eventualmente removidas. Em Manchester, o Conselho Municipal se vê pressionado pela remoção da estátua de Sir Robert Peel, duas vezes primeiro-ministro e filho de um conhecido proprietário de escravos. Os conselhos ligados aos trabalhistas por toda a Inglaterra e também pelo País de Gales também se comprometeram a promover tal revisão e debater as estátuas e os homenageados locais.

Mensagem no local onde antes ficava a estátua © Ben Birchal/lPA

A comissão em Londres será composta por políticos mas também historiadores e lideranças artísticas e comunitárias. O homem representado na estátua recentemente derrubada, Edward Colston, foi sócio da Royal African Company, empresa que, no século XVII, escravizou e vendeu mais de 84 mil africanos. Os manifestantes derrubaram a estátua com cordas durante os protestos do último dia 7, a carregaram até a beira do cais do porto em Bristol, e a atiraram no rio Avon.

A estátua sendo atirada ao rio em Bristol © Wikimedia Commons

O prefeito da cidade, Marvin Rees, afirmou que, ainda que repudie o ato, não irá reinstalar a estátua – de origem jamaicana, Rees afirmou que via a estátua como uma “afronta pessoal”, e que provavelmente, segundo ele, ela irá terminar “em um museu”.

© Getty Images

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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