Arte

Looney Tunes recria desenhos com personagens clássicos sem armas

por: Vitor Paiva

Os tempos mudam, e a natural que também mude nossa relação com o passado. Quem nasceu até os anos 90 cresceu assistindo a desenhos animados repletos de pequenos detalhes ou grandes símbolos hoje considerados incorretos – e o uso de armas de fogo nos desenhos é seguramente um deles. Se todo material infantil possui potencial pedagógico ou de influência sobre a criançada, como não repensar que se deve e o que não se deve mostrar aos pequenos? Para o lançamento de novos desenhos da Looney Tunes em streaming, a Warner Bros decidiu alterar alguns de seus mais clássicos personagens: e o famigerado caçador Hortelino Troca-Letras perdeu sua espingarda para caçar o Pernalonga.

E não só: Eufrazino, igualmente inimigo do coelho mais famoso dos cartoons, também perdeu o “porte de armas” nos desenhos, e passará a perseguir Pernalonga com as próprias mãos. “Nós não vamos mais usar armas”, disse Peter Browngardt, produtor e executivo e showrunner da novidade. “Mas podemos usar a violência de cartum – dinamite TNT, as coisas da ACME”, disse. Diferentemente de outros lançamentos com os personagens, esse não procura modernizar o universo Looney Tunes, mas justamente recuperar a essência dos clássicos – e por isso estarão lá as bigornas, armadilhas, buracos, pianos em queda e muito mais.

A animação “Dynamite Dance” foi lançada no ano passado como um teaser da novidade.

O que se sabe até aqui é que serão 80 novos episódios com 11 minutos de duração, a serem lançados na plataforma HBO Max, novo serviço de streaming de vídeo que reunirá produtos da Time Warner, como HBO, TNT, TBS, CNN e Warner Bros. “Eu sempre me perguntei como seria se a Warner Bros nunca tivesse parado de fazer os desenhos da ‘Looney Tunes’”, disse Browngardt. “Nós tratamos a produção dessa forma o tanto quanto foi possível”. Os clássicos desenhos de Pernalonga e sua turma foram produzidos entre 1930 e 1969, inicialmente para serem exibidos nos cinemas antes dos filmes, até migrarem para a TV. Hoje a Looney Tunes é considerado uma das mais icônicas séries de desenho de todos os tempos.

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© artes: reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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