Debate

Luiz Bacci recebe lição ao vivo no ‘Cidade Alerta’ após exemplo do que não é jornalismo

por: Karol Gomes

A cobertura de um assassinato nesta terça-feira (9) expôs mais uma vez os péssimos métodos ‘jornalísticos‘ do programa ‘Cidade Alerta’O crime foi apresentado inicialmente como: “Urgente: Agiota é encontrado morto. Há relatos de briga com a amante”. Diante da casa da vítima, a repórter Luiza Zanchetta entrou ao vivo, entrevistando Amanda, a filha do homem assassinado. Mas a repórter que acompanhou o caso e o apresentador Luiz Bacci não contavam com a indignação da família da vítima,e acabaram protagonistas, ao vivo, de um vexame de grandes proporções.

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Amanda imediatamente protestou contra a qualificação do homem como ‘agiota‘ e deu uma primeira lição: “Eu perdi meu pai hoje e não estou vendo um pingo de respeito aqui. Vocês falando que ele é agiota, gente! Como assim, qual é essa informação? Da onde vocês tiraram isso, por favor? Eu acho que vocês têm que ter um pingo de consideração!”, disse. 

Dirigindo-se ao apresentador, a repórter disse: “A polícia não confirma essa informação, Bacci, mas eu conversei com vizinhos que conhecem bem o Josenildo”. Neste momento, a legenda da reportagem já havia mudado para: “Urgente: Josenildo encontrado morto. Há relatos de brigas com a amante”.

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A repórter chegou a insistir na defesa de sua informação, obtida, segundo ela, junto a ‘vizinhos‘. A teoria defendida pelo ‘Cidade Alerta’ era de que o pai de Amanda era agiota. 

“Tudo bem, mas você concorda que a gente não pode descartar essa possibilidade?”, questionou para a jovem, que rebateu: “Vocês não podem afirmar uma coisa. De repente, vocês vêm com suposições de vizinho? Achei que o jornalismo da Record era mais responsável”, questionou a filha. 

Amanda, precisou corrigir até mesmo o nome do pai, que estava sendo passado errado pela emissora, e defendeu seu argumento de que a apuração não estava sendo feita corretamente. “Nem o nome vocês estão passando direito, gente, como vocês vão passar a profissão do meu pai? Meu pai tinha casa de aluguel e o nome dele é Josivaldo”.

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O amenizar a situação e admitir o erro dizendo que “o estrago já estava feito”. Depois de ter chamado Josivaldo de agiota, a repórter disse: “A gente não está querendo denegrir a imagem do seu pai”

Falta jornalismo

Não é a primeira vez que a ânsia de mostrar casos dramáticos ao vivo prejudicou o jornalismo do ‘Cidade Alerta‘. Em março deste ano, uma mãe descobriu no programa que a filha havia sido assassinada – e desmaiou no ar. Isso ocorreu durante uma conversa entre Bacci e o advogado do homem acusado pelo crime. 

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A editora-chefe do programa foi afastada do cargo após o ocorrido. Já o apresentador se defendeu dizendo que não sabia que o advogado iria passar aquela informação. Além disso, afirmou que a mulher havia dito que “quis saber as informações ao vivo, na cobertura”.

A cobertura da morte do ator Rafael Miguel e de seus pais, que completou um ano nesta terça-feira, também rendeu uma série de situações absurdas. Joel Cupertino, irmão do homem apontado pela polícia como autor do crime, se revoltou com o sensacionalismo de Bacci. “Ele vai ter que se retratar em muita coisa e voltar pra escolinha de repórter”, disse numa entrevista ao próprio ‘Cidade Alerta‘.

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Fotos: Reprodução / TV Record


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.


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