Matéria Especial Hypeness

Maternidade na Quarentena: 12 mães falam sobre as alegrias e os desafios do momento

por: Gabriela Rassy

Patrocinado por: Namore-se

A perfeição, a benção, o amor incondicional. A maternidade é um tema amplo e complexo. Passa pela imagem maculada que foi feita das mães por tantos anos até chegar à maternidade real exposta por muitas delas nos últimos tempos. Ser mãe afinal já é um desafio por si só, com a quarentena então… Se é difícil conviver em casal ou com amigos, imagina só com a cria 24 horas por dia? Para fazer essa reflexão, convidamos 12 mães de diferentes lugares e realidades para falarem das dores e delícias de estarem isoladas com os filhos.

Assista o vídeo no IGTV do Hypeness!

As dificuldades da maternidade na quarentena continuam sendo as mesmas, só que agravadas por um cenário apocalíptico de uma pandemia. Então é sobre trabalhar, cuidar da casa, cuidar de uma criança e não surtar. Sobre as alegrias, é pensar que a gente não tá literalmente sozinha e que eles, ao mesmo tempo que são os motivos de fazer a gente surtar, eles são exatamente o motivo que não fazem a gente surtar de vez.

Bruna Messina
Comunity Manager, redatora, produtora de conteúdo e o que mais for possível
Mãe da Zoé, 3 anos
Rio de Janeiro

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Essa semana fui convidada pelo @hypeness pra gravar um vídeo que falasse sobre maternidade na Quarentena. Tive 15 segundos para falar sobre as dificuldades. Mais 15 pra falar sobre as alegrias. É sempre difícil pra caraleo falar sobre maternidade, esse troço tão plural. Realmente não tem nem LIVE de 3 horas que dê conta. Mãe nem tem S no final, mas não é sobre isso. É encaixar tudo sobre as tantas diferentes mulheres, de diferentes realidades, camadas sociais, crenças, raça, orientações políticas e sexuais,que tem a maternidade como somente um dos aspectos das suas vidas. Sim galeris, porque ser mãe não é tudo na nossa vida não. Tem um monte de coisa que a gente faz e é além disso, mas talvez vocês não estejam preparados para essa conversa. Em tempos de cenários apocalípticos, falamos muito sobre sobrevivência. Afinal, tem um fucking vírus mortal solto por aí, né?! Mas sim querides, a maternidade SEMPRE foi sobre sobrevivência. Seja financeira, física ou mental. É sobreviver da maternidade compulsória a culpa, da violência doméstica a obstétrica, do aborto a cesariana desnecessária, do puerpério a depressão pós parto, das relações abusivas do companheiro/genitor a do patrão, da falta de rede de apoio da família a dos amigues, do abandono paterno ao da sociedade, da invisibilidade no mercado de trabalho a sexualidade. Cheguei a conclusão depois de regravar umas 39548349 de vezes os vídeos, que as dificuldades da maternidade ( dentro ou fora da quarentena) continuam sendo as mesmas (intensificadas por uma pandemia) e que muito pouco tem a ver com as crias diretamente, mas com o entorno. Tem a ver com vocês aí, que estão lendo esse texto e montaram essa personagem da guerreira absoluta, da mulher maravilha, que guenta qualquer parada, que acha as suas meias, resolveu teus BO´s. >> Continua nos comentários. #jornadamaternidadereal

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A quarentena está pouco difícil por conta de várias questões de ser mãe solo. De ter que ficar sozinha, ter que cuidar, ter que ensinar as lições da escolas, ter que trabalhar, limpar a casa, ir ao mercado – aí chegar no mercado e ter que voltar com o filho porque tá cheio. Mas é um jeito da gente conseguir partilhar a vida junto e é o que a gente tá fazendo hoje, partilhando e conhecendo um pouco mais de cada uma, o que ela gosta, o que eu gosto. Os nossos momentos juntos tão sendo super legais, mas tão difíceis.

Thalita Nascimento
Assessora parlamentar e futura assistente social
Mãe da Malu, 4 anos
São Paulo

O mais difícil desse tempo de quarentena tem sido dar conta de tudo: trabalho, estudos, crianças, isso só nós dois. Mas temos nossos empregos garantidos e podemos acompanhá-las nesse tempo de quarentena estando integralmente ao lado das nossas filhas e vendo-as florescer todos os dias.

Franciele Vanessa Sander
Pastora luterana
Mãe de Lucy, 4 anos, e Elis 2 anos
São Luís do Maranhão

A minha maternidade começou no meio da quarentena, porque eu tive minha filha tem 19 dias, então ainda estou aprendendo as dores e as delícias. A minha licença-maternidade está se confundindo com a quarentena, então a minha maior alegria tem sido ter meu marido com a gente super perto nesse momento e podendo vivenciar todas essas mudanças. O desafio é não poder ver todo mundo que eu gostaria e que gostaria de conhecer a Luna. A saudade é grande.

Thais Sanches
Advogada
Mãe da Luna, 19 dias
São Paulo

Essa quarentena, para nós indígenas, não atrapalhou muito porque nós ainda podemos pescar, temos o nosso roçado. Claro que é só para o nosso consumo, mas tem vezes que as crianças querem comer algo especial, algo que não seja peixe, mandioca, banana, abacaxi. Daí nós saímos para cidade para vender o nossos artesanato e fazer nossas apresentações. Isso atrapalhou um pouco assim. Mas estou cada vez mais perto do meus filhos. A gente se aproximou mais. Ser uma mãe é uma benção.

Yrá Tikuna
Professora
Mãe de Puremüna, 15 anos, Yaüatüna, 13, Y’y, 12, e Hamã, 10
Comunidade Inhãa-Bé

Uma das coisas mais importantes da maternidade é a proximidade que você pode ter com seu filho. E acho que a quarentena trouxe isso para as mães. Dos maiores desafios, está a administração do tempo dos filhos em conjunto com as tarefas da casa.

Thais Halinski
Corretora de imóveis e carnavalesca profissional
Mãe da Valentina, 12 anos
São Paulo

A maior alegria é poder acompanhar o desenvolvimento deles diariamente. A gente conseguiu ver os meninos darem os passos da vida então isso não tem preço.

Denise Tenaglia Pombo
Assessora de imprensa
Mãe de Henrique e Lucas, 1 ano
São Paulo

Tem sido uma grande alegria acompanhar um pouquinho mais de perto a rotina do meu filho, de reinventar uma rotina dentro dessa quarentena. A gente tem se divertido com pequenas coisas, como pular corda, fazer um bolo. O desafio sem dúvida é ficar sem sair de casa e encontrar os amigos, parentes, poder brincar, abraçar as pessoas. A gente tem sentido muita falta, tentando driblar a cabeça para aguentar mais um pouquinho porque é muito importante ficar em casa.

Áurea Maranhão
Atriz
Mãe do Antonio Alan, 12 anos
São Luís do Maranhão

É um grande desafio. A gente quer ver nossa cria bem, mas praticamente não tem tempo sozinha, não conseguimos fazer nada dos em termos interrompidas, o nosso humor interfere totalmente no delas, mas eu tenho certeza que cada uma dá o seu melhor. Uma das coisas mais especiais é o afeto. A gente ter uma a outra, poder acordar mais tarde, passar mais tempo na cama. Entre tintas, massinhas e muita criatividade, danças e brincadeiras, ainda bem que a gente se tem.

Marina Peralta
Cantora e compositora
Mãe da Lua, 3 anos
Campo Grande/São Paulo

A maior alegria é compartilhar de momentos do cotidiano com mais tranquilidade, com mais leveza. Poder conversar, abraçar, mais ficar mais tempo juntos. O desafio é administrar energia e o tempo. Com filho por perto, é muito fácil cair na tentação de ser mãe o tempo todo ou de sentir uma culpa porque ele tá perto, mas eu estou trabalhando e não estou com ele.

Carol Pedrosa
Professora de fotografia para cinema e vídeo
Mãe do Dante, 11 anos
São Paulo

 

 

Uma das coisas que eu tenho mais aproveitado nessa quarentena é o momento que o meu marido e o meu filho. Assistir um filme na quarta-feira juntos é uma coisa que a gente nunca faria em tempos normais. O desafio tem sido me concentrar no meu trabalho. A gente mora num apartamento pequeno, de 53 metros quadrados, e no meu trabalho de jornalista eu preciso me concentrar na produção de conteúdo, entre outras coisas. Isso tem sido bem difícil.

Gisele Alexandre
Jornalista, ativista e educadora popular no Capão Redondo
Mãe do Pedro Henrique, 8 anos
São Paulo

Das dores de estar confinada com uma filha é essa pouca independência, controle do meu tempo e a minha liberdade de ir e vir. A melhor parte é essa injeção de energia e criatividade que me levam à inércia de produtividade e não de procrastinação.

“Como você dá conta?” Meu marido me fez essa pergunta depois de 45 dias juntos na quarentena. Eu, ele e nosso filho de 8 anos, Pedro Henrique. Minha resposta foi: “Eu não dou”. Leia a crônica de Gisele Alexandre para o Nós Mulheres da Periferia.

Naia Prado
Professora de yoga
Mãe da Mar, 3
Barcelona

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Foto de destaque por @nataliamoura_


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.


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