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Mia Khalifa usa redes sociais para dar a real e pede que mulheres não entrem na indústria pornô

por: Yuri Ferreira

A influenciadora digital Mia Khalifa, conhecida por sua antiga carreira na indústria pornográfica, utilizou as suas redes sociais para criticar os conglomerados do pornô e pedir para que as mulheres não entrem neste universo. Com mais de 20 milhões de seguidores no Instagram e 3 milhões de fãs no Twitter, Khalifa entrou em uma polêmica atentando para os abusos cometidos pela indústria.

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Hoje longe do pornô, Khalifa foi duramente criticada por utilizar sua plataforma de audiência para denunciar os danos sociais e psicológicos causados pela indústria pornô

Hoje, ela é uma das principais vozes contra o abuso do mercado pornográfico e trabalha com comunicação em esportes, além de ser influenciadora digital. Mia entrou na pornografia com um contrato de 12 mil dólares, à época, que lhe obrigaria a fazer 6 filmes. Até hoje, a BangBros, dona dos direitos dos filmes, lucra milhões por causa dos poucos filmes que Mia havia filmado.

Ela começou a ativar suas redes sociais para denunciar os males que a indústria pornô causou a sua vida:

Mia Khalifa usou o Twitter para denunciar que sua breve carreira no pornô foi responsável por lhe causar a perda do contato com sua família, sua privacidade, dignidade, sua saúde mental, além da dificuldade de conseguir contato com marcas, novos relacionamentos como o casamento, criação de seus futuros filhos, além de ter recebido diversas ameaças de morte.

As ameaças de morte vieram de parte de comunidades islâmicas fundamentalistas que se sentiram ofendidas por Khalifa utilizar um hijab durante um filme pornográfico. Segundo a influenciadora, isso foi uma obrigação da produtora de filmes. Ela ainda relatou que foi obrigada a fechar os comentários no Instagram por causa dos frequentes ataques.

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“Meus comentários foram desativados para o público no último ano porque foram inundados de ódio, ao ponto em que nunca vi nada que não fosse uma vergonha direta do meu passado, e estava afetando minha saúde mental e meu casamento. Mas só quero agradecer a todos. Agradeço suas palavras de bondade, aceitação e defesa. Sinto que agora tenho uma comunidade aqui. Eu amo muito vocês. Obrigado por me verem”, afirmou no TikTok, rede social que também tem utilizado para denunciar os abusos da indústria.

@miakhalifa##duet with @iisabellabello ??? I have a family. And they were on tiktok this whole time ?♥️♬ original sound – .92hrss

Máquina de exploração de mulheres 

A indústria pornográfica é uma das mais perversas máquinas de exploração das mulheres que existem nos dias de hoje. Mais de 90% das atrizes já foram abusadas sexualmente. As taxas de stress pós-traumático depois da carreira no pornô são equivalentes a de veteranos de guerra. A expectativa de vida média de uma atriz pornô é de 36 anos.

Por isso, antes de abrir um site pornô e financiar uma indústria que destrói a vida e a dignidade de milhões de mulheres em todo o planeta, pense bem.

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Fotos: Reprodução/Twitter


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.


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