Arte

Motoboy que tenta sobreviver na pandemia inspira ‘video-HQ-poema’ de Ferréz e De Maio

por: Redação Hypeness

O abismo social brasileiro nunca ficou tão em evidência quanto durante a pandemia do coronavírus. Se existe o estigma de que o brasileiro não respeita o isolamento social, não esqueçamos dos mais de 12 milhões de pessoas que vivem em favelas ou nas ruas e que, além de não poderem se dar ao luxo de respeitar a quarentena, não conseguem manter o distanciamento social. É sobre a história de um motoboy que tenta sobreviver na pandemia que o poeta e romancista Ferréz, em parceria com o jornalista e ilustrador Alexandre De Maio acabam de lançar o vídeo HQ poema ‘Voadores’.

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Lançado no dia 5 de junho em memória do jornalista e escritor Gilberto Dimenstein, morto em 29 de maio, é incrível como pouco mais de um minuto de vídeo é capaz de fazer. Com a megalópole São Paulo vazia e sem trânsito, aos poucos a câmera vai te conduzindo às cercanias que o gringo e o branco fazendo home office não conseguem ver: as favelas.

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E de lá em meio à uma pandemia que já matou mais de 40 mil pessoas apenas no Brasil, o motoboy arrisca a sua vida para continuar tendo o que comer. Com sua máscara e sua coragem, lá vai ele para mais um dia de luta. O mundo passou mais de dois meses em quarentena e com os restaurantes fechados, eram estes motoboys vivendo em condições vulneráveis que faziam entregas, desde comidas e remédios à drogas e compras pela internet.

Ferréz é mestre na “literatura marginal”, por ser desenvolvida na periferia das grandes cidades e tratar de temas relacionados a este universo. Diretamente ligado ao movimento hip-hop, ele é responsável por promover inúmeras iniciativas e ações culturais na região do Capão Redondo e lançou em 2019 sua própria editora de histórias em quadrinhos.

Alexandre De Maio é jornalista e ilustrador, autor de “Raul”, livro de jornalismo em quadrinhos finalista na categoria quadrinhos do Prêmio Jabuti de 2019. Sua primeira história em quadrinhos foi publicada em 2006 também em parceria com Ferréz, “Os inimigos não mandam flores”. Quatro anos depois, desenvolveu seu primeiro quadrinho jornalístico no Catraca Livre e não parou mais. Publicou trabalhos em veículos como Revista Fórum, Estadão, Folha de S. Paulo e Agência Pública e, em 2013, ganhou o Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, com a reportagem “Meninas em jogo”, em parceria com a jornalista Andrea Dip para a Agência Pública, que denunciou a exploração sexual de menores em Fortaleza (CE).

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Fotos 1 e 2: Instagram

Foto 3: Facebook


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