Arte

Muito além de ‘Tapa na Pantera’: a importância de Maria Alice Vergueiro, falecida aos 85 anos, para o teatro

por: Vitor Paiva

Foi a própria Maria Alice Vergueiro quem previu que aconteceria o que se confirmou com seu falecimento na última quarta-feira, dia 03, aos 85 anos: “Depois de Tapa na Pantera surgiu essa fama… Após cinco décadas de teatro, foi como se meu passado não existisse”, ela escreveu em sua “autobiografia não-autorizada”. Publicado em 2008, o livro de memórias foi lançado dois anos depois da atriz ter estrelado “Tapa na Pantera”, um dos primeiros vídeos a viralizarem na internet brasileira – mas a verdade é que Maria Alice Vergueiro em 2006 já possuía cinco décadas de uma história reluzente no teatro, conforme levantou o colunista Mauricio Stycer para o UOL.

© acervo pessoal

Maria Alice Vergueiro estreou nos palco em 1962 na peça “A Mandrágora”, do Teatro de Arena. Tendo se tornado integrante nos anos 1970 do Teatro Oficina, do diretor José Celso Martinez Corrêa, Vergueiro se juntou a Luiz Roberto Galízia e Cacá Rosset em 1977 para fundar o grupo Ornitorrinco de teatro. A atriz também trabalhou no espetáculo “A Ópera do Malandro”, de Chico Buarque, “Katastrophé”, de Samuel Beckett com direção de Rubens Rusche, e ainda “Eletra Com Creta”, de Gerald Thomas. Ela também dirigiu e atuou em “Dom Pirlimplim com Belisa em seu Jardim”, de Federico García Lorca, em 1992, e em 1995 dirigiu “Quíntuplos”, de Luis Rafael Sanches, entre outros.

A atriz em cena do vídeo viral © reprodução

Maria Alice Vergueiro era conhecida como “dama do underground” no teatro paulistano, mas seu trabalho não se restringiu, no entanto, aos palcos: na televisão, a atriz participou de poucos projetos mas com especial destaque, entre eles a novela “Sassaricando”, de 1987, e na série “O Sistema”, de 2007. No cinema, Vergueiro participou de filmes como “Maldita Coincidência” (1979) e “Romance” (1988), de Sérgio Bianchi, “Perfume de Gardênia” (1992), de Guilherme de Almeida Prado (1954) e “Urubus e Papagaios” (1985), de José Joffily Filho.

Vergueiro em cena na peça “Why The Horse?”, do grupo Pândega, em 2016 © André Stefano / Divulgação

O sucesso do vídeo “Tapa na Pantera”, no qual a atriz interpreta uma hilária senhora usuária de maconha, pode ter nublado um pouco a importância da carreira prévia da atriz, mas a própria Maria Alice reconhece importância no viral: “O ‘Tapa na Pantera’ teve duas funções importantes para a sociedade: tratou do tema da maconha sem hipocrisia, além de me apresentar para as gerações mais jovens, que não me conheciam”, afirmou.

Maria Alice Vergueiro faleceu no último dia 3 aos 85 anos, por conta de um quadro grave de pneumonia, em suspeita de covid-19.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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