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Nuvem gigante de gafanhotos faz Argentina emitir alerta na fronteira com o Rio Grande do Sul

por: Yuri Ferreira

Uma nuvem gigante de gafanhotos invadiu a Argentina e ameaça chegar ao Brasil em breve. A infestação começou no Paraguai, destruindo as plantações de milho, foi a sul pelo Chaco, infestando as regiões de Córdoba, Santa Fé, Entre Rios e Corrientes, essa mais próximas do estado do Rio Grande do Sul.

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A situação é complicada e pode afetar drasticamente as condições econômicas de ambos os países. Tanto o Brasil quanto Argentina tem uma boa parte de seu sistema econômico atrelado à agropecuária. O principal alvo dos gafanhotos são as plantações; uma nuvem pode ser capaz de destruir em um dia a quantidade de pasto equivalente a 2 mil vacas ou 350 mil pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Após destruir plantações no Paraguai, Argentina é a vítima das nuvens de gafanhotos. Brasil pode ser o próximo

A infestação começo na semana passada e ainda não se sabe se os gafanhotos virão para o Brasil. Os produtores de agricultura do Rio Grande do Sul estão em estado de atenção e medidas podem ser tomadas a qualquer momento.

Dá uma olhada em como é o ataque:

Impactos econômicos da infestação por gafanhotos

A agropecuária é responsável por 9% da economia gaúcha (dados de 2014) e 6% do PIB de Santa Catarina (dados de 2016). As regiões com maior produção agrícola nos estados são as mais próximas à fronteira com a Argentina.

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No começo do ano, uma situação similar aconteceu no Chifre da África, região leste do continente, em países como Quênia, Somália e Etiópia. A Somália declarou Estado de Emergência por causa da infestação de gafanhotos na região, que destruíram plantações de milho e feijão no país. Foi a maior aparição da praga em mais de 70 anos. Na região de Ahmara, fazendeiros perderam 100% de suas plantações. Um vôo da Ethiopia Airlines teve de fazer um pouso forçado pois a nuvem de gafanhotos impedia a visão dos pilotos.

A infestação que aconteceu no Quênia entre 2003 e 2005, bem menor do que a desse ano, foi capaz de causar um prejuízo de 2,5 bilhões de dólares para a economia local. Os impactos econômicos de uma crise dessa dimensão alinhada com o desaceleramento causado pela pandemia de coronavírus pode resultar em uma tragédia econômica e social de proporções raramente vistas.

Relação dos gafanhotos com aquecimento global

Para os especialistas, a infestação tem correlação com as mudanças climáticas que favorecem a reprodução dos gafanhotos. “Condições mais secas no futuro, nos limites norte e sul da área de distribuição de gafanhotos, podem produzir habitats mais favoráveis ​​para esta espécie e podem ter impactos negativos importantes.”, disse o entomologista Michel Lecoq à BBC. Ele ainda alerta:

Os riscos em termos de danos às culturas, pastagens e, em última instância, à segurança alimentar e social de muitas pessoas pobres nos países em desenvolvimento podem ser enormes

A Mauritânia, outra país que sofreu com a infestação de gafanhotos, afirmou que está tomando medidas de precaução mapeando pequenas aglomerações da praga com drones, tomando medidas para acabar com as nuvens de maneira mais eficaz, com apoio da FAO. Essa é a única forma de controlar as nuvens: quando ainda pequenas, os pesticidas são capazes de impedir que os insetos se unam e se reproduzam.

No Brasil, somente o gafanhoto do Mato Grosso foi registrado como uma espécie capaz de devastar plantações e suas breves aparições em grupo foram sempre controladas. Portanto, dependendo da intensidade e da rapidez com que a nuvem de gafanhotos venha, caso de fato se desloque pro Brasil, pode causar um problema de dimensão desconhecida para as autoridades brasileiras.

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Fotos: Reprodução/Twitter


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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