Diversidade

Paola Carosella cede redes sociais para que Winnie Bueno difunda feminismo negro

por: Kauê Vieira

Paola Carosella entendeu que a luta contra o racismo precisa de ações concretas. A chef de cozinha e estrela do ‘MasterChef’ anunciou que vai ceder suas redes sociais para que Winnie Bueno, pesquisadora gaúcha responsável pela criação do ‘Tinder dos Livros’, apresente conteúdos que se relacionem com a raça e gênero. 

– Winnie Bueno criou o ‘Tinder dos Livros’ para democratizar leitura entre negros

Winnie: Bacharel em direito pela Universidade Federal de Pelotas

O movimento de Paola reverbera a partir do #BlackOutTuesday, que para além de postagens de telas pretas nas redes sociais, exige uma postura altiva e comprometida de pessoas brancas contra o genocídio negro provocado pelo ódio racial

“Queremos dar espaço a vozes e pessoas e falar de racismo, sexismo e combate à violência, e também  compartilhar potências de resistência a tudo isso que tá aí. falar melhor sobre projetos anti-racistas e compartilhar ferramentas  de combate a desinformação”, escreveu Paola. 

– Blogueira branca assume fraude de cotas e perfil reúne outros farsantes no Twitter

Além de Paola, o ator Paulo Gustavo, que já foi bastante criticado por fazer blackface, se comprometeu em dar o controle de seu Instagram – seguido por mais de 13 milhões de pessoas – para que a filósofa e escritora Djamila Ribeiro amplifique o alcance de seu trabalho de luta contra o machismo e o racismo e reafirme a importância do pensamento feminista negro

“Me sinto na obrigação de ajudar e o meu melhor posicionamento será de escutar e aprender! Vamos visibilizar as vozes que sempre falaram, mas não foram ouvidas! Vamos aprender juntos? Essa é uma luta de todas e todos! Conhecer e entender o racismo no país é nossa responsabilidade política!”, postou Paulo Gustavo, que só terá a conta de volta em meados de julho. 

– George Floyd: o missionário cristão morto por um policial branco e que perdeu o emprego na pandemia

Djamila, claro, celebrou a atitude do ator. “É uma grande alegria fazer essa ocupação! Vamos dialogar e refletir juntos!”. Em sua conta no Instagram, a escritora fez uma postagem em agradecimento. “Lugar de fala é isso: como eu, do meu lugar social, posso impactar para a equidade do grupo em condições sociais desfavorecidas? A ação de Paulo Gustavo nos convoca a novas possibilidades”, afirmou a autora de o ‘Quem tem medo do feminismo negro?’. 

Winnie Bueno, aliás, conversou com Hypeness tempos atrás sobre o ‘Tinder dos Livros’, projeto feito em parceria com o Twitter para conectar doadores com pessoas negras que desejam acessar o universo da literatura. 

“Eu sugeri que seria mais efetivo se comprometer a doar um livro para um acadêmico ou para uma pessoa negra que estivesse necessitando do que ficar postando no Twitter. Várias pessoas brancas me mandaram recados dizendo que se dispunham a doar. Eu organizei tudo e fui no Twitter e disse, ‘olha, eu tenho um monte gente aqui disposta a doar um livro. Me manda o nome e o endereço para mandar e eu vou passar pra pessoa e ela vai doar um livro pra vocês”.

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Gente, diante dessa realidade tão brutal, no mês de junho, meu instagram será totalmente dedicado a abordar as questão raciais no Brasil! Portanto, resolvi ceder minha conta do instagram a escritora e ativista Djamila Ribeiro, que vai trazer conteúdos muito importantes pra todos nós! Me sinto na obrigação de ajudar e o meu melhor posicionamento será de escutar e aprender! Vamos visibilizar as vozes que sempre falaram, mas não foram ouvidas! Vamos aprender juntos? Essa é uma luta de todas e todos! Conhecer e entender o racismo no país é nossa responsabilidade política! Ja li livros e artigos dela e acho ela uma genia! Estarei acompanhando essas aulas e voltamos a nos encontrar em julho! Obrigado Rainha Djamila, por topar entrar na minha conta e trazer histórias e conhecimentos que vão tocar e transformar milhares de pessoas. ❤️ @djamilaribeiro1

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Foto: Reprodução/Twitter


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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