Sustentabilidade

Pegada de carbono do mundo dos esportes pode ser comparada a de um país inteiro

por: Vitor Paiva

Aos poucos em todo o mundo as competições esportivas vão retomando suas atividades apesar do contexto da pandemia do novo coronavírus. E se tal retorno pode representar uma trágica ameaça de ampliação da contaminação da Covid-19, outro impacto e igualmente trágico será também retomado junto dos diversos campeonatos internacionais: a emissão de gases e o efeito sobre o meio-ambiente das atividades esportivas profissionais. Segundo novo estudo, a pegada de carbono produzida pelos esportes em geral equivale à emissão de um país como a Bolívia ou a Espanha.

Jogo da NBA em 2019 © Wikimedia Commons

Intitulado “Playing against the clock: Global sport, the climate emergency and the case for rapid change” (Jogando contra o relógio: esporte mundial, emergência climática e mudanças urgentes, em tradução livre), o estudo foi escrito pelo jornalista britânico David Gildblatt para a Rapid Transition Alliance (RTA), o estudo sugere mudanças para tentar reduzir o impacto. Além de realizar eventos neutros em carbono (mudando práticas gerais e replantando a fim de amenizar o impacto), o estudo aponta como urgente o fim dos patrocínios que utilizem combustível fóssil. “O mundo dos esportes pode ser do tamanho de uma pequena nação quando se trata de emissões de carbono, ou talvez uma grande cidade, sendo que os resultados seriam apenas uma fração do necessário globalmente”, afirma David. “Mas poucas esferas da atividade humana possuem uma influência mundial em termos sociais, econômicos e políticos, quanto à esportiva”.

Atleta nas Olimpíadas de Inverno © Shutterstock

Assim, mudar a relação do mundo dos esportes com o meio-ambiente pode se afirmar como paradigma influente em todo o planeta. “Assumir a meta de zerar as emissões de carbono globalmente, seria uma contribuição enorme do mundo esportivo para que este objetivo se torne uma prioridade em diferentes políticas. O esporte, do amador ao profissional, tem o poder de trazer esperanças e restaurar a confiança na humanidade”, afirma o estudo. “Se o mercado esportivo assumir o compromisso de combater as mudanças climáticas, ele pode ser mais uma vez um exemplo a ser seguido… nunca se sabe”. A determinação do estudo é que tais mudanças e a realização de eventos neutros em emissão de carbono aconteçam até 2030.

Seleção brasileira de futebol feminino © Wikimedia Commons

Outro ponto sublinhado pelo estudo é o impacto das mudanças climáticas sobre as práticas esportivas – e o resultado é também periclitante. Segundo o levantamento, ¼ dos campos de futebol da Inglaterra sofrerão com inundações, e metade dos países que já foram sede das Olimpiadas de Inverno não poderiam mais receber o evento por conta dos efeitos das mudanças climáticas. A conclusão sugere que reduzir o impacto das atividades esportivas é fundamental inclusive para a continuidade dessas mesmas práticas – o futuro do planeta, afinal, é também o futuro do esporte. “Assim como se os ídolos do esporte se manifestarem e afirmarem que o ar puro e a estabilidade climática são importantes, eles têm o poder de influenciar milhões de pessoas, que vão passar a cobrar as mudanças necessárias. E isso não é apenas uma mensagem para o mundo, mas um caminho para garantir que o mundo continue sendo um lugar seguro para o esporte”, afirma Andrew Simms, coordenador da RTA.

© Pixabay

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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