Tecnologia

Pesquisadores mapeam em detalhes cidade da Roma Antiga sem precisar escavar

por: Vitor Paiva

São tantos os sítios arqueológicos e tantas as ruínas e reminiscências do passado imperial por toda a Itália que em qualquer lugar do país quem cavar um buraco, por menor que seja, corre o risco de encontrar um piso, um artefato, um resquício da Roma antiga. Ou não é nem mesmo preciso sequer cavar: um grupo de arqueólogos belgas e britânicos encontrou a antiga cidade de Falerii Novi soterrada a 48km de Roma sem precisar abrir uma escavação sequer – através de uma tecnologia capaz de rastrear o subterrâneo por ondas eletromagnéticas.

Visão aérea da cidade, com a “descoberta” feita pelo radar © divulgação

Publicada no jornal científico Antiquity, a descoberta é a primeira realizada com a tecnologia de ondas eletromagnéticas a alcançar esse nível de detalhe. “Ainda que não saibamos como esse sítio sagrado funcionava, a pesquisa fornece novos insights sobre a variedade de modelos de planejamento sobre o que consideraríamos uma cidade romana ‘padrão'”, afirmou a equipe de pesquisadores em nota.

Boa parte da cidade hoje se encontra subterrânea © Creative Commons

“Através do contraste com outros centros como Pompeia, isso também levanta relevantes questões sobre o planejamento dessas cidades de modo geral”. O detalhamento foi tamanho, a partir de análises de até 8 horas de duração para cada acre do terreno, que foi possível encontrar grandes monumentos, mercados e espaços esportivos soterrados.

Parte do radar utilizado para mapear o subterrâneo da cidade © divulgação

Construída por volta de 241 a.C. como uma das 2 mil cidades células da Roma Antiga, Falerii Novi tinha aproximadamente 3 mil habitantes em 75 acres (cerca de 303 quilômetros quadrados) com arquedutos, banhos públicos, templos e mais – tudo descoberto pelo radar – e seus últimos moradores teriam deixado a cidade por volta do ano 700 da era moderna. Essa é a primeira vez que uma cidade inteira é escaneada por esse tipo de radar, com resultado tão eficaz capaz de revolucionar tais estudos, reduzindo em muito o custo, o impacto e o tempo para realizar tais detalhamentos. “É o equivalente a um trabalho de três a quatro meses em campo”, afirmou Martin Millett, professor na Universidade de Cambridge que ajudou a liderar o estudo. “Isso realmente muda a maneira pela qual estudamos e compreendemos as cidades romanas – apontando para o futuro da arqueologia”.

Recriação artística de como era a cidade à época de Roma © Unsplash

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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