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Sem saber que estava grávida, ela fez o próprio parto no banho sozinha

por: Redação Hypeness

A jovem Aymee Almeida foi tão dedicada aos seus estudos que, em 2018, se mudou para a capital do seu estado, Cuiabá, para fazer cursinho antes de prestar o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Ela tinha passado por relacionamento abusivo e só pensava em no exame. Até que o último dia de aulas chegou e uma surpresa mudou a vida dela para sempre. Aymee não sabia, mas estava grávida e acabou fazendo o próprio parto sozinha, no banho. Ela contou a história na internet e, é claro, viralizou ao deixar as pessoas chocadas com sua jornada. 

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Segundo Aymee, um fator que pode ter contribuído para esconder a gravidez foi a o emagrecimento repentino, que aconteceu depois do relacionamento abusivo que vivenciou. “Emagreci muito por conta disso, mas como me alimentava de comidas sem valor nutricional, como hambúrguer e macarrão instantâneo, ganhei peso rapidamente. Não me importei e justificava por falta de tempo”, conta.

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Poucos meses depois, Aymee começou a se sentir mal e ter quedas de pressão constantemente. “Fui ao médico e ele disse que provavelmente era algo relacionado ao meu estado emocional”. A jovem estava tendo sangramentos que na época achava ser relacionado com os períodos menstruais. Logo, a possibilidade de uma gravidez foi descartada. 

Após a consulta, ela seguiu com os estudos sem muitas mudanças na rotina. Perto do grande dia, a prova do ENEM, ela  notou outro sintoma: seus pés estavam bem inchados. Sua mãe e sua avó, que também sofrem do quadro por problemas vasculares, logo a levaram para uma nova consulta médica. “Ouvi que deveria ser algo relacionado ao meu rim e ficamos de fazer exames depois que a segunda fase passasse”, lembra.

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No último dia de aula do cursinho, a orientação era descansar para se preparar para a prova. Mas uma cólica não deixava Aymee em paz. Depois da aula, ela foi para o apartamento das amigas, que moravam no mesmo condomínio, onde pediram um lanche. Ela conta que a dor era tanta que não conseguiu comer. Ao invés disso, foi para casa tomar um banho.

O banho foi como um remédio instantâneo. A água quente ajudou a diminuir as dores, mas o efeito passou quando ela saiu do chuveiro. 

Ela ao lado do filho. Que história!

Aymee ainda voltou para o chuveiro, esperando o alívio, mais duas vezes. Na terceira, sentou no chão e não conseguia mais levantar.“Era tão intenso que eu só chorava. Não tinha forças para buscar meu celular no quarto e pedir ajuda. Comecei a fazer força involuntariamente, segurando no boxe”, diz.

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Com o incômodo latente, ela conta não ter notado o que o corpo estava tentando fazer. “Só percebi o que estava acontecendo com a cabeça do neném já saindo. Não deu tempo nem de ficar surpresa. Para se ter uma ideia, nem passou pela minha cabeça chamar uma ambulância. Só pensava que precisava manter ele bem”, afirma.

Hora de entrar em pânico? Ainda não. A segurança do bebê vinha em primeiro lugar, então a futura mãe “simplesmente” cortou o próprio cordão umbilical com uma faca – que para sua sorte, de acordo com a médica, foi um corte certeiro – tirou sua placenta com a ajuda de um vídeo na internet, deu banho no bebê e ainda limpou todos os vestígios do parto para não assustar a colega com quem dividia a casa.

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Em entrevista para a UOL, a ginecologista Karina Tafner, médica do Hospital Santa Casa de São Paulo, explicou que o parto normal, quando ocorre sem complicações, pode realmente ser realizado sem ajuda, como foi o caso da jovem. Mas ela alerta para possíveis problemas como  variação da posição fetal (bebê em posição pélvica ou transversa) e dificuldade de extração do bebê, hipertonia uterina (contrações dolorosas que levam à exaustão), sofrimento fetal agudo, hipoxia (ausência de oxigênio suficiente) no recém-nascido e hemorragias. Estas situações podem colocar em risco a vida da mãe e do bebê. A médica explicou ainda que o quadro de Aymee é chamado de gravidez silenciosa e é bastante raro. 

Aymee buscou o atendimento médico quase um dia depois, com medo de dar a notícia e sem saber muito bem como explicar para a família que tinha dado à luz, A decisão foi perigosa, já que a ela poderia ter sofrido uma hemorragia pós-parto fatal e o bebê não tinha passado por qualquer tipo de exame – antes ou após o parto.

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“Só fui por insistência de uma amiga e, ingênua, nem pensava que ficaria internada. Toda a equipe médica ficou bem impressionada com o meu quadro. Passei a ver o que tinha acontecido comigo como um milagre”, conta.

Apesar dos riscos, Aymee e Pedro Lucas, seu filho, que hoje tem um ano e seis meses, ficaram bem. “Confesso que demorou um tempo para me ver como mãe. Não tive tempo para me preparar. Mas acredito que hoje sou uma mãe ainda melhor do que esperava que seria”, diz.

E quanto aos estudos: Aymee ainda foi prestar o ENEM logo após ter alta. Hoje, ela estuda enfermagem em sua cidade natal, Cáceres (MT) e afirma ter se surpreendido positivamente com o curso. 

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Fotos: Arquivo Pessoal/Reprodução


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