Sustentabilidade

Sistema agroflorestal da Tunísia é reconhecido como patrimônio agrícola global

por: Gabriela Glette

Devido ao aquecimento global e inúmeras mudanças climáticas, o mundo agora começou a olhar para trás e a valorizar sistemas agrícolas ancestrais, muitos melhores para o meio ambiente e a biodiversidade. Recentemente, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação reconheceu dois sistemas agrícolas tradicionais da Tunísia, que acabam de ser reconhecidos como Sistemas de Patrimônio Agrícola de Importância Global (GIAHS).

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Os sistemas em questão são os jardins suspensos de Djebba El Olia e o cultivo de Ramli em Ghar El Melh, ambos refletem laços profundos entre as culturas cultivadas e o ecossistema natural, fauna e flora locais, além de promover a preservação do conhecimento tradicional e a conservação da biodiversidade. Além de preservar o meio ambiente, este reconhecimento valoriza o conhecimento tradicional de técnicas de nossos antepassados.

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O objetivo também é incentivar as comunidades locais a valorizar e conservar melhor sua herança para as gerações futuras. Conheça mais sobre os 2 sistemas abaixo:

1. Jardins suspensos de Djebba El Olia

Localizado no Monte el Gorrâa, os jardins formam um sistema agroflorestal exclusivo a uma altitude de 600 metros. Apesar de parecer improvável, os agricultores conseguiram moldar a paisagem montanhosa a seu favor, integrando a agricultura em terraços derivados de formações geológicas naturais ou construindo-as em pedra seca.

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Ótimos exemplos de agrosilvicultura e agroecologia que atendem às necessidades alimentares das comunidades locais ao longo do ano, eles possuem um sistema de irrigação tão eficiente, que é capaz de criar um microclima na região.

2. Ramli em Ghar El Melh

Etimologicamente ramli significa “na areia” e trata-se de práticas agrícolas que consistem no cultivo de substratos arenosos, não apenas na Tunísia, mas em todo o mundo. Criados no século 17 pela diáspora andaluza para lidar com a falta de terras cultiváveis ​​e água doce, ele é baseado em um sistema de irrigação passivo, onde as raízes das plantas são alimentadas ao longo de cada estação pela água da chuva armazenada e que flutua na superfície do mar por meio do movimento das marés.

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Esse sistema permite cultivar o ano todo sem suprimentos artificiais de água, mesmo durante períodos de seca e pode ser a resposta para o fim da fome no mundo.

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Fotos: divulgação


Gabriela Glette
Uma jornalista e produtora de conteúdo que mora na França. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias. Gabriela também é fundadora do site Quokka Mag, onde fala apenas sobre coisas boas!


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