Debate

Supremacistas brancos se fazem de antifascistas para incentivar violência nas manifestações

por: Vitor Paiva

Quem frequenta manifestações de rua sabe que é comum a presença de “infiltrados” nas multidões, a fim de cometer atos que serão posteriormente postos na conta da causa que o protesto de fato defende. Nos últimos anos, porém, ficou claro que tais ações de sabotagem começam antes e em outro contexto: online, através da internet, e com as atuais manifestações antirracismo e os grupos antifascistas, conhecidos como Antifas, não seria diferente. Recentemente o Twitter descobriu que um perfil que vinha postando incentivos à violência e que se dizia “Antifa” era, na verdade, criado por um grupo de supremacistas brancos.

Um dos posts fakes realizados pela conta © reprodução

O perfil foi devidamente removido, mas a gravidade do caso fica claro sobre o efeito incontrolável das fake news: esse foi um dos perfis apontados pelo presidente Donald Trump e por seus filhos para ilustrar o suposto perigo do movimento Antifa. Era, porém, um perfil falso. “Essa conta violou as regras de manipulação e spam de nossa plataforma, especificamente no que diz respeito à criação de perfis falsos”, disse um porta-voz do Twitter. “Tomamos as medidas cabíveis após o perfil enviar um tweet incitando a violência e quebrando nossas regras”. Tal revelação se dá justamente no momento em que o presidente Trump se esforça para culpar manifestantes da esquerda estadunidense pela violência ocorrida nos protestos que atualmente tomam o país.

O filho do presidente, Donald Trump Jr. © Getty Images

Na semana passada Trump afirmou que iria designar os Antifa como um grupo terrorista, ainda que não tenha esse poder e que o movimento não seja exatamente um grupo organizado e fechado. Pegando a costumeira carona nas inclinações do presidente dos EUA, por aqui Bolsonaro também declarou em seguida que os movimentos públicos de oposição ao seu governo seriam terroristas – em ambos os casos é mais do que comprovado que muitas vezes a violência começou como gesto abrupto da própria polícia nas manifestações.

Manifestante enrolado em bandeira Antifa © Getty Images

Depois que as supostas contas Antifa foram denunciadas, o post original de Donald Trump Jr. acusando a violência foi apagado, mas nenhuma declaração em reparo foi feita. Em declaração o Twitter confirmou que o perfil era em verdade comandado pelo grupo Identity Evropa, uma fraternidade supremacista branca e racista. Representantes da plataforma confirmaram que o surgimento de supostos perfis Antifa em verdade comandados por grupos racistas é anterior ao momento atual e numeroso, mas que será combatido pelo Twitter – que irá derrubar demais perfis ligados ao Identity Evropa, assim como outras organizações racistas.

© Wikimedia Commons

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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