Futuro

Torcida do Celtic substitui placas que homenageiam escravagistas em Glasgow por líderes do movimento negro

por: Vitor Paiva

Um dos mais tradicionais clubes de futebol escocês, o Celtic F. C. tem uma das mais populares e tradicionais torcidas em todo o país – e seu principal grupo de “ultras”, a Green Brigade, recentemente aderiu de forma contumaz às manifestações e ações antirracismo que se espalharam pelo mundo depois do assassinato de George Floyd nos EUA. Para além de um posicionamento público, a brigada verde do Celtic substituiu placas que, por toda a cidade de Glasgow, homenageavam publicamente antigos escravagistas: no lugar dos mercadores de pessoas escravizadas, entraram novas placas, em tributo a grandes nomes da luta contra o racismo.

Rua “transformada” em homenagem a Fred Hampton © divulgação

O próprio George Floyd ganhou uma das placas em homenagem, junto de nomes históricos como Joseph Knight, escravizado que ganhou sua liberdade na justiça britânica no século XVIII, a líder estadunidense Harriet Tubman, que escapou da escravidão e passou resgatar outras pessoas, Rosa Parks, ativista que entrou para história ao se recusar a sentar-se em área restrita aos negros em ônibus no Alabama, em 1955, e Fred Hampton, líder dos Panteras Negras assassinado em 1969. Além dos emblemáticos nomes citados, também foi homenageado em placa da Green Brigade o imigrante Sheku Bayoh, de Serra Leoa, morto pela polícia escocês em 2015.

Faixa da torcida Green Brigade em jogo do Celtic

Por sobre um outdoor na cidade, uma grande faixa deixava clara a mensagem da ação: “Escravos fizeram Glasgow”, dizia, junto do lema “Vidas Negras Importam”. Os nomes que antes constavam nas placas “substituídas” pela Green Brigade eram em sua maioria de grandes barões que possuíam grandes plantações nos EUA e centenas de escravos.

Rua antes homenageava o barão do tabaco Andrew Cochrane

Segundo a prefeitura de Glasgow, desde o ano passado que um estudo sobre as ligações da cidade com a história da escravidão e uma eventual revisão de placas, nomes de rua, estátuas e mais está sendo levantado, com uma consulta pública a ser realizada ao fim.

Publicidade

© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Arquitetos projetam o aeroporto do futuro para viagens espaciais comerciais