Ciência

A rotina do brasileiro à frente de pesquisa de vacina contra o coronavírus em Oxford

por: Vitor Paiva

Se a pandemia afeta a vida de todos os habitantes do planeta de forma praticamente sem precedentes, para algumas pessoas tal efeito é ainda mais urgente e direto – é o caso dos profissionais de saúde e todos os trabalhadores de serviços essenciais, assim como dos cientistas que estejam dedicando a vida para melhorar ou mesmo solucionar os males da Covid-19. Para o brasileiro Pedro Folegatti, o surgimento do novo coronavírus alterou não só sua trajetória profissional mas até mesmo seu sono: como um dos membros da equipe do Instituto Edward Jenner, na Universidade de Oxford, responsável pelo desenvolvimento da mais promissora vacina contra a Covid-19 até aqui, desde fevereiro que o médico infectologista de 34 anos dorme no máximo 4 horas por noite – todo seu tempo é votado ao trabalho pela medicação.

O médico Pedro Folegatti, brasileiro trabalhando na vacina de Oxford © Arquivo pessoal

Pedro foi um dos autores do artigo que, no último dia 20, confirmou os resultados positivos e seguros das duas primeiras fases de teste da vacina de Oxford com voluntários. Foram 1.077 participantes que comprovaram que a vacina não induz efeitos colaterais graves, é capaz de desenvolver anticorpos que podem sim neutralizar o vírus – mas ainda há trabalho pela frente. Segundo o médico e único brasileiro na linha de frente da produção da vacina britânica, a nova fase, com voluntários de todo o mundo – incluindo 5 mil brasileiros – vem para confirmar se essa resposta imune é de fato suficiente para nos proteger contra o coronavírus.

© Oxford University

Em entrevista para a BBC News Brasil, Pedro lembrou da gravidade da doença – de não se tratar de forma alguma de “somente uma gripezinha”, mas sim de um mal que já tirou a vida de mais de 600 mil pessoas no mundo – e da importância do compromisso ético e coletivo com as medidas de segurança gerais. Usar máscara, manter a quarentena quando possível, respeitar o distanciamento social e outras tantas determinações não podem ser, segundo o médico, decisões individuais: são gestos que afetam literal e diretamente a vida de todos.

© Arquivo Pessoal

O tempo de desenvolvimento vem sendo recorde: processos que levariam ate 1 ano foram completados em 1 mês – e por isso o médico não dorme mais. O maior desafio da carreira de Pedro Folegatti pode salvar nossas vidas e até mesmo nossa maneira de viver: nosso grande desafio é respeitar tais compromissos. Para ler a entrevista completa e saber mais sobre o trabalho, acesse a reportagem aqui.

© Getty Images

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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