Ciência

Colecionador revela livro tibetano impresso antes da prensa de Gutenberg

Vitor Paiva - 08/07/2020

A História com H maiúsculo, que aprendemos nos livros e na escola, costuma nos contar os fatos do ponto de vista europeu e eurocêntrico – e com certo objetivo de manter a Europa como centro de tudo. Por isso, mesmo aquilo que mais parecia inquestionável pode ser, em verdade, somente mais uma peça desse jogo de manutenção de poder – até mesmo ícones como a Prensa de Gutenberg. Ainda que o dispositivo de impressão e reprodução de textos e imagens em massa inventado pelo alemão Johannes Gutenberg em 1450 tenha sim revolucionado o mundo ocidental, ele não é a primeira impressora do tipo como a história costuma nos contar – e no oriente, a prática de reproduzir textos e imagens por prensas já acontecia antes de Gutenberg, como mostra um livro sino-tibetano recentemente divulgado nas redes sociais.

Impresso em cerca do ano de 1410, o livro com citações budistas incrivelmente bem preservado data de 40 anos antes da primeira bíblia impressa por Gutenberg. Repleto de ilustrações e com as páginas internas escritas em tinta vermelha, o conteúdo dos mantras é escrito em sânscrito, e o texto propriamente em tibetano. Para a impressão, foram utilizados blocos de madeira, porcelana e outros materiais, mas através de tipos móveis como fez Gutenberg.

Ainda que os teóricos apontem o surgimento da Prensa de Gutenberg e, com ela, a reprodução em massa como o ponto de virada do que viria a ser a Revolução Indústrial, o fato é que estima-se que até 4 séculos antes, na China, impressões com tipos móveis utilizando metal já eram praticadas. Diferentemente dos europeus, porém, para os chineses, tibetanos, mongóis e outros povos do oriente, a impressão era somente mais um meio de divulgar o dharma – esse sim, o grande foco da distribuição dos livros impressos.

Segundo o usuário do Twitter @incunabula, o livro revelado foi impresso em Pequim em 1410, contendo “dhãranis em sânscrito e ilustrações de mantras-diagramas protetores e deidades”.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é mestre e doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Publica artigos, ensaios e reportagens, é autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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