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Comédias românticas: o machismo e o racismo que negligenciamos nos filmes

por: Redação Hypeness

Muito mais que meros comfort movies, filmes de comédia romântica se tornaram portos seguros de expectativas amorosas para milhões de pessoas — principalmente mulheres — em todo o mundo. Mas não está na hora de olharmos com mais cuidado e atenção para certos modelos de machismo e racismo ainda perpetuados na sociedade e também presentes nas nossas tramas favoritas de amor?

Narrativas cinematográficas (quase sempre) sobre romances que acabam em finais-felizes-modernos, as famosas rom-coms (apelido carinhoso do gênero nos Estados Unidos) muitas vezes acabam por contribuir para estereótipos negativos associados a gêneroraça.

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Como explorado pelo canal do YouTube “The Take” no vídeo “Rom Cons: Problematic Movie Romance Lessons” (ou “Comédias Românticas: Lições Problemáticas de Filmes de Romance”, em tradução livre), pelo “Buzzfeed” na matéria “35 coisas meio revoltantes que acontecem nas comédias românticas” e pelo episódio cinco do podcast PRIMAS, apresentado pelas comunicadoras Carla Lemos e Renata Correa, o universo de produções hollywoodianas relacionadas a romance traz uma série de noções um tanto quanto questionáveis.

O mundo das mulheres realmente gira ao redor de homens?

Tudo bem que nos desligamos de detalhes condizentes com a realidade para aproveitar filmes sem ter que pensar demais. Mas você já parou para perceber que em grande parte das comédias românticas mais queridas — como “O Casamento do Meu Melhor Amigo” (1997), “Como Perder Um Homem Em 10 Dias” (2003) e “Nunca Fui Beijada” (1999), por exemplo — a vida da protagonista acaba se resumindo à busca por um relacionamento amoroso? E que, muitas vezes, o relacionamento desejado é com um homem que apresenta comportamentos preocupantes, mas considerados românticos e ideais?

Cena do filme ‘O Casamento do Meu Melhor Amigo’, de 1997

Se um cara não desiste da conquista após receber vários “nãos”, ele é considerado desrespeitoso na vida real, mas o achamos maravilhoso em “10 Coisas Que Eu Odeio Em Você” (1999), no personagem do ator Heath Ledger (1979 – 2008) no longa. Se um homem escala a sua janela durante a noite para te observar dormir (!), isso é considerado caso de polícia, mas se esse homem é Edward Cullen no romance vampiresco “Crepúsculo” (2008), ele é apenas um rapaz apaixonado.

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No que diz respeito diretamente às mulheres, protagonistas brancas, magras e heterossexuais são parte majoritária do elenco de filmes de amor. Da mesma forma, essas personagens passam por diversas tentativas de se ajustar a desejos masculinos; suas personalidades usualmente transitam entre a dualidade de santa versus promíscua; e, não raro, há o comum abandono de metas profissionais dessas mulheres em prol do relacionamento amoroso.

Onde estão os galãs negros? E as protagonistas pretas?

Chadwick Boseman, Michael B. Jordan, Daniel Kaluuya e Idris Elba são apenas alguns dos nomes de uma lista imensa de atores negros que seriam incríveis e apaixonantes galãs de comédias românticas. Mas onde estão os filmes água-com-açúcar em que é um homem de pele escura o responsável por povoar devaneios lindos, amorosos e cheios de planos de futuro da (ou do) protagonista? Will Smith fez um trabalho memorável em “Hitch” (2005) e Lakeith Stanfield arrancou suspiros em “Alguém Especial” (2019), mas onde estão os outros atores negros estrelando blockbusters de amor em igual proporção a homens brancos?

Lakeith Stanfield em par romântico com Gina Rodriguez em ‘Alguém Especial’, de 2019

E, ok, já entendemos o potencial de mulheres pretas como dedicadas e divertidas melhores amigas, mas não passa mais batido que personagens cheias de características a serem exploradas em papéis principais — como Dionne Davenport de “As Patricinhas de Beverly Hills” (1995) e Taylor McKessie de “High School Musical” (2006) — sejam constantemente cotadas apenas como coadjuvantes das tramas em que aparecem.

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Na última década, foi possível perceber um movimento de mudança, ainda lenta, na indústria cinematográfica no que diz respeito à diversidade. Séries e filmes românticos de países anglo-saxões têm investido em enredos mais plurais e em equipes mais diversas.

De qualquer forma, nunca é demais criticar produções que reforcem estruturas de opressão social, e, principalmente, nunca é exagero se atentar mais para questões problemáticas em produtos de entretenimento que consumimos com tanto prazer.

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Fotos: Divulgação


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