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Coronavírus: idosa que chamou jovem de ‘chinesa porca’ é indiciada pelo crime de racismo

por: Yuri Ferreira

Em fevereiro desse ano, antes da chegada do novo coronavírus ao nosso país, uma idosa proferiu ofensas racistas contra uma jovem de origem oriental no Metrô do Rio. Hoje, a senhora de 75 anos está sendo indiciada pelo crime de racismo. Ela chegou a chamar Mari Okobayashi, estudante de Direito da UFRJ, de ‘chinesa porca’. Mari, de 23 anos, é descendente de japoneses.

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Agora, a idosa de 75 anos está sendo indiciada por injúria racial e crime de racismo. O inquérito da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) foi concluído na última quarta-feira (15) e agora a ofensora vai a julgamento.

Marie Okabayashi denunciou a senhora que cometeu, em vídeo, injúrias raciais contra a estudante de direito. Agora, a racista vai responder na justiça

“Ela falou isso porque o assunto está em evidência, toda hora se fala do coronavírus. As pessoas acham qualquer tipo de desculpa para justificar o racismo delas e procuram justificativas para mostrar o ódio em público. Ela falava aquilo e olhava para os lados para ver se conseguia a adesão de alguém”, disse Marie ao G1 à época.

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“Quando eu passei na direção dela, ela começou a berrar. Ela gritou ‘chinesa, porca’. Eu perguntei se ela estava bem e eu saí andando. Ela disse ‘sua nojenta, fica passando doença para todo mundo’. Ela ficou de pé me xingando e ficava mostrando o dedo do meio”, completou.

A fabricação de que existe alguma correlação entre raça e o vírus é completamente inaceitável, mas, infelizmente comum e forçada por governantes que não foram capazes de combater a pandemia. O ex-Ministro da Educação Abraham Weintraub também fez comentários xenofóbicos e foi duramente criticado pela Embaixada da China no Brasil. Donald Trump também promove a ideia de um que o coronavírus seria ‘vírus chinês’. Mas é o país dele que tem o maior número de infectados no mundo e é recordista em mortos pela pandemia. Engraçado, né?

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Fotos: Reprodução/Twitter


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.


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