Debate

Crivella defende abertura de escolas: ‘Crianças são imunes’; entenda por que a fala não faz sentido

por: Redação Hypeness

Uma fala do prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, durante a cerimônia de entrega de respiradores emprestados para o município de Rio das Ostras, causou controvérsia na semana passada. “Todos sabe que as crianças no mundo inteiro são imunes”, afirmou ao responder uma pergunta sobre a volta às aulas. Porém, ao contrário do que imagina o prefeito, não especialistas garantem que a situação não é bem assim. 

Estudos feitos até agora indicam que as crianças de até dez anos são menos propensas a contraírem e espalharem o vírus, mas isso não quer dizer que haja imunidade fisiológica. Na verdade, adolescentes e jovens em idade escolar, principalmente aqueles que já estão no Ensino Médio, tendem a exercer um papel semelhante ao de um adulto no espalhamento do vírus para a sociedade. 

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O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, conversa com enfermeiros e médicos da Cruz Vermelha, em março de 2020.

Em entrevista ao jornal “O Globo”, o infectologista Alberto Chebabo, diretor médico do Hospital Clementino Fraga Filho, disse que em Israel, escolas que reabriram se tornaram focos do novo coronavírus. Muito por conta dos alunos mais velhos. “Não vejo problema para as crianças pequenas propriamente ditas, mas, sim, pelo que creches e escolas representam em aumento da mobilidade. Por isso, por ora, todas deveriam permanecer fechadas”, opinou. 

Em sua fala, Crivella ainda disse que 80% das vítimas fatais de covid-19 no Rio de Janeiro eram pessoas acima de 60 anos e que, os outros 20% correspondiam à faixa etária de 40 a 60 anos.

É difícil um caso de criança que faleceu… Então, graças a Deus, no mundo inteiro, as crianças estão imunes ao coronavírus. O problema é serem portadoras e passarem para o vovô e a vovó. O protocolo vai nesse caminho.

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Os percentuais dados pelo prefeito não batem. Estatísticas da própria prefeitura mostram que, até o fim da semana passada, 15 crianças de zero a nove anos haviam morrido vítimas da covid-19.

Ao “G1”, o infectologista roberto Medronho, também do Clementino Fraga, disse que não existe evidência científica sobre tal imunidade e que crianças costumam apresentar infecções mais brandas ou assintomáticas. “Isso é um problema porque elas, ao se aglomerarem nas escolas, vão transmitir o vírus entre elas, podendo infectar os funcionários das escolas e levar a infecção para o seu familiar”, explicou. 

Bolsonaro veta artigos em lei sobre uso obrigatório de máscaras

O presidente Jair Bolsonaro se enrola para vestir uma máscara de proteção.

Também na semana passada, o presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou a lei que obriga o uso de máscaras em ambientes públicos, mas vetou alguns pontos do projeto. Ambientes como estabelecimentos comerciais ou industriais, templos religiosos e outros lugares fechados não serão alvos da obrigatoriedade. 

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Outro ponto da lei é que as empresas que tiverem funcionários em serviço não precisarão garantir o fornecimento gratuito do equipamento de proteção individual. Bolsonaro ainda excluiu do texto da lei a proposta de agravamento da punição para quem infringisse a lei. 

Desde o começo da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro tem sido visto desrespeitando as orientações de isolamento social e não utilizando máscaras na maioria das vezes. Na última terça-feira, dia 7, ele confirmou que testou positivo para covid-19.

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Fotos: Getty Images


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