Debate

Escolas de samba do Rio de Janeiro avisam que só desfilam com vacina para o coronavírus

por: Yuri Ferreira

As escolas de samba do Rio de Janeiro não estão dispostas a realizar o Carnaval de 2021 sem uma vacina para o novo coronavírus. Segundo os dirigentes ouvidos pelo Jornal Extra, as administrações das escolas não estão dispostas a fazerem os desfiles na Marquês de Sapucaí sem que existe segurança completa; somente uma vacina convencerá a chefia de Mangueira, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, Beija-Flor e São Clemente a realizarem a festa.

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Segundo a apuração da publicação carioca, as agremiações irão votar em bloco na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) por um adiamento por tempo indeterminado. A votação se refere a um possível adiamento para maio, conforme o proposto pelo prefeito soteropolitano ACM Neto.

Sem vacina, é inviável realizar o carnaval em qualquer data, seja em fevereiro ou junho. Hoje, as decisões judiciais têm muita força. Há o risco de fazermos investimentos altos e, lá na frente, o contágio voltar a subir e a Justiça determinar a suspensão. O carnaval é um evento de aglomerações, da produção à realização na Sapucaí. Como seria? Componentes a dois metros de distância? Cantando com máscaras no rosto?”, afirmou o presidente da Vila Isabel, Fernando Fernandes.

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Em Salvador, ACM Neto já reiterou que pode adiar o Carnaval para Maio

ACM Neto propôs uma ampla discussão com os prefeitos do Rio e São Paulo para uma data nacional que comporte um novo Carnaval, caso a vacina não esteja disponível até janeiro do ano que vem. Ele já tem uma proposta; o adiamento das festividades para maio.

“Avaliaremos a possibilidade do Carnaval acontecer entre o final do mês de maio e início do mês de junho, sem que conflite com o calendário junino. A gente sabe que os festejos do São João são muito importantes para o Nordeste, principalmente pro interior”, afirmou ACM em coletiva.

“Também não acho que seja justo o Carnaval prejudicar o São João, que esse ano já não tivemos. Ideal seria buscar um calendário em 2021, quem sabe até identificando feriados que podem ser utilizados, pela data propriamente ou pela antecipação de feriados. E aí organizar o calendário para o Carnaval”, completou.

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O infectologista da Universidade de Iguaçu (Unig), Roberto Falci Garcia, não acredita que a proposta vá para frente. Para o médico, cada cidade tem um estágio evolutivo da doença e, sem uma vacina, seria impossível coordenar esse movimento nacionalmente.

“Cada cidade tem o seu tempo na pandemia. No Rio, hoje, por exemplo, há uma tendência de queda no número de casos, enquanto outras cidades ainda não chegaram ao pico da doença. Essa mesma discrepância pode acontecer no ano que vem, numa possível segunda onda de contaminação do novo coronavírus, caso não tenhamos uma vacina eficaz”, explicou ao Extra.

 

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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