Ciência

Estudante mexicana cria bioplástico que se decompõe em 90 dias a partir de resíduos da laranja

por: Vitor Paiva

Além de levar séculos e séculos para se decompor na natureza, o plástico é um dos mais materiais mais poluentes do planeta por conta da maneira que o utilizamos: em embalagens, copos e canudos, muitas das toneladas de plástico despejadas diariamente foram utilizadas  somente uma vez antes de atiradas ao lixo. Assim, é urgente a substituição do plástico por materiais biodegradáveis principalmente para tais casos – e por isso o projeto da estudante mexicana Giselle Mendonza venceu a oitava edição do Prêmio de Empreendedorismo do México, entre 12 mil empreendedores de todo mundo, ao desenvolver uma espécie biodegradável de plástico a partir de resíduos de laranja.

Utilizando a casca e o bagaço da fruta, além de oferecer substituto ao plástico o projeto intitulado Geco ainda reaproveita os restos da laranja utilizando matéria prima a custo quase zero, por parceria com produtores locais – segundo Giselle, só no México das 4,5 milhões de laranjas cultivadas anualmente, entre 40% e 65% terminam no lixo. “No Oceano Pacífico, há um grande acúmulo de lixo plástico, do tamanho da França. Por outro lado, as projeções apontam para o fato de que, em 2050, haverá mais resíduos plásticos no mar do que peixes. Vinculei isso a uma grande oportunidade, especialmente para o nosso país, o quinto maior produtor de laranja do mundo”, afirma a criadora do bioplástico e aluna do Instituto Tecnológico de Monterrey.

Os motivos para escolher a laranja são, no entanto, muitos: além da grande quantidade de celulose presente na fruta, trata-se de um alimento presente em boa parte do mundo, de relativamente fácil e abundante cultivo. O produto desenvolvido por Giselle é um material flexível e transparente que se decompõe em 90 dias após exposto à matéria orgânica. Confeccionado inicialmente para substituir embalagens PET, o potencial da invenção vai muito além, e pode se firmar como alternativa a todo tipo de embalagem plástica. Além do concurso vencido, Giselle Mendonza também conquistou o terceiro lugar no Prêmio Santander de Inovação Empresarial de 2019 e o primeiro lugar no Global Student Entrepeneur Awards, no México.

Sua pesquisa é desenvolvida pela startup Geco, que a estudante fundou aos 21 anos em 2018 – e que se firma como mais um entre tantos outros exemplos de que substituir o plástico é completamente possível, acessível e barato: basta as grandes (e poluentes) empresas quererem.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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