Ciência

Falta de seringas para vacina contra coronavírus é risco apontado pela UE

por: Yuri Ferreira

Após uma recomendação da European Biosafety Network (EBSN), rede de cientistas especialistas em biosegurança da Europa, a União Europeia alertou seus 27 países membros a adquirirem seringas para a possível vacina contra o coronavírus. O report do EBSN atenta para a possibilidade de existir um estoque de vacinas sem possibilidade de ser aplicado na população.

A corrida pela imunização contra a covid-19 tem sido travada entre as potências globais, com Rússia, China, União Europeia e Estados Unidos correndo com pesquisas e fazendo apostas bilionárias em projetos que possam trazer a proteção contra o vírus que já fez mais de 670 mil vítimas ao redor do mundo. Entretanto, outros insumos como cápsulas de armazenamento, capacidades de estoque e seringas podem faltar e prorrogar a proteção da população.

– Coronavírus: pesquisador da Fiocruz detalha processo de desenvolvimento de vacina e alerta sobre negacionismo

Segundo report da ESBN, provavelmente serão necessárias duas doses da vacina para cada pessoa

“Com uma população de 446 milhões de pessoas em toda a União Europeia, precisaríamos de cerca de 1 bilhão de seringas e agulhas para entregar a vacina na Europa. Países como Reino Unido, EUA e Canadá já se comprometerem a adquirir os suprimentos para imunização a partir do momento em que a vacina esteja pronta”, afirma a ESBN.

A preocupação da organização é que ocorra um gargalo similar ao das máscaras e álcool gel. Com o aumento da demanda, esses equipamentos sumiram das prateleiras e dificultaram o controle da doença tanto nos EUA, como no Brasil e na União Europeia.

– Brasil registra queda expressiva de vacinação em meio à pandemia, alerta OMS

“É essencial que os 27 países membros da UE se comprometam a adquirir esses equipamentos o mais rápido possível. Dessa maneira, evitaremos um gargalo na cadeia de produção e distribuição. Isso já aconteceu durante a pandemia, com os equipamentos de proteção”, afirma o report da EBSN.

Conforme apuração da Reuters, a UE já tem atentado os países membros e incentivou a compra dos equipamentos. É necessário mobilizar boa parte das indústrias e concentrar esforços em uma aposta; apesar de estudos estarem avançando no campo das vacinas, ainda não existe garantia de que as vacinas possam sair até antes de julho de 2021.

Como citado pelo report da EBSN, o governo Trump têm atentado para a produção desses insumos sob uma lei dos tempos da guerra, obrigando empresas a produzirem ventiladores e outros equipamentos de saúde. Desde fevereiro, a Casa Branca tem atentado para a necessidade de comprar insumos para a aplicação de vacinas:

“Estima-se que serão necessárias 850 milhões seringas e agulhas para entregar a vacina para a população europeia. Nosso estoque desses suprimentos é limitado e, nas atuais condições, demoraria cerca de 2 anos para produzir essa quantidade de agulhas especiais para essa situação”, afirmou Peter Navarro, diretor de comércio e política de indústria de manufaturação, em 14 de fevereiro. “Podemos encontrar uma situação onde teremos vacina o suficiente, mas não teremos como entregá-la”, completou.

Nesse ano, no Brasil, já vimos eventos de falta de seringa para aplicação das vacinas de gripe em Pernambuco. Em março, antes da chegada do novo coronavírus ao estado, a Secretaria de Saúde confirmou a falta dos equipamentos necessários para imunização de parte da população pernambucana.

 

Publicidade

Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.


X
Próxima notícia Hypeness:
Estudantes do Ceará conquistam 1º e 2º lugar em prêmio de soluções tecnológicas